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Este artigo descreve uma função psíquica do analista que foi se definindo a partir da experiência clínica com crianças. Trata-se de uma qualidade psíquica derivada da função α, que envolve a capacidade de rêverie: a função narrativa do analista.
Apresento duas situações clínicas em que esta função foi se constituindo no campo analítico diante da dificuldade do paciente simbolizar.
No primeiro, em que houve uma experiência traumática precoce indisponível a uma representação, o analista empresta ao paciente sua capacidade de representação e constrói uma narrativa que possibilita a constituição de um mundo de fantasias e a transformação de pesadelos em sonhos sonháveis, isto é, retira o caráter de realidade insuportável e irrepresentável dessas experiências brutas, encriptadas no psiquismo.
No segundo, a função narrativa do analista busca uma conexão com o isolamento, a concha autística em que vive uma criança com transtorno autístico, em quem a possibilidade de representação não se estabelecera. Oferece significados para o brincar repetitivo e estereotipado, tecendo a subjetividade e apresentando gradativamente a noção de alteridade.
Procuro mostrar como esta função, na construção das temáticas das sessões, permitiu tanto a elaboração de uma situação traumática com uma possibilidade de representar compartilhado quanto à constituição do tecido psíquico.