You do not currently have permission to view the full text for this document. Please sign in to an account with an active subscription or contact support.
To comment on IJP Open, you have automatically been assigned a Disqus profile. You can view and contribute to article discussions by clicking on the Discuss icon located in the left toolbar.
No aniversário de cem anos do clássico texto freudiano À guisa de introdução ao narcisismo (1914), encontramos diversas publicações em torno das patologias narcísicas e dos novos sintomas. Essas novas formas de sintomas estão vinculadas à cultura contemporânea ou hipermoderna - um conceito cunhado por Lipovetsky (2004) - e são caracterizados pelo desbussolamento do sujeito quanto ao desejo, pelo individualismo e pelo empobrecimento dos laços afetivos. Estamos frente a uma cultura marcada pelo excesso: excesso de bens, de imagens, de sons, de gozo. Sempre à margem do extremo, proliferam as patologias individuais, o consumo desordenado e a anarquia comportamental. É nesse novo cenário, diferente daquele de cem anos atrás, que se depara a psicanálise. A psicanálise, possuidora de um grande sensor dos efeitos do Outro sobre os sujeitos, deve tentar, como saber legitimamente constituído no século XX, verificar as consequências que tal cenário provoca. Como é possível sustentar a promessa freudiana à luz de um novo estado de cultura chamado hipermoderno? Quem é o sujeito que escolhe hoje a psicanálise? Lembremos que, quando falamos de promessa, referimo-nos a uma afirmação do próprio Freud (1895) que dizia prometer aos seus pacientes a troca do sofrimento neurótico pela infelicidade comum. Parece decepcionante se compararmos a outras promessas, como a eliminação da angústia, a normalização psicológica, o encontro com o objeto total e o conforto psíquico. No entanto, Freud sempre soube que a psicanálise não eliminaria o desconforto que o próprio ato de viver engendra, mas apenas os excessos. A psicanálise é a teoria que coloca o mal-estar como preço a ser pago pelo processo civilizatório que o homem sofre. A partir dessas ideias, rastreamos o caminho freudiano a respeito do tratamento analítico para questionarmos os alcances e limites da psicanálise, principalmente nos dias atuais, uma época marcada por excessos.