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Estudam-se situações em que, no trabalho com adolescentes, a função analítica se torna embotada. Essas situações ocorrem quando o adolescente está revivendo, no campo analítico, conflitos relativos ao desprendimento de aspectos infantis. O jovem se protege da percepção da triangularidade recrutando o analista para conluios duais que impedem o sonhar. Famílias simbiotizadas contribuem para esses fatos. Os ataques àpercepção desses conluios se revelam como estupidez. Essa mesma estupidez ataca a percepção das relações triangulares. A relação entre estupidez e ataques à capacidade de sonhar e pensar é abordada através do estudo dos mitos de Narciso e Édipo. Essas ideias são aprofundadas através do estudo de material clínico de uma adolescente com aspectos psicóticos. Em determinados momentos o campo analítico, aparentemente paralisado, se rompe em forma abrupta. Essa ruptura resulta do contato traumático com a triangularidade. Esse contato é resultado do trabalho de sonho realizado em áreas paralelas aos conluios duais. Demonstra-se que as configurações estudadas se relacionam a vicissitudes do processo de dessimbiotização da adolescente. Aborda-se a técnica analítica nessas situações, quando o analista deve sonhar não-sonhos que se manifestam no campo analítico. As idéias de enactment crônico (não-sonhos-a-dois) e enactment agudo são relacionadas com as situações estudadas, assim como a tríade bioniana: arrogância, estupidez e curiosidade. O trabalho é concluído com conjecturas sobre o processo adolescente comparando-se o material clínico com aspectos do mito edípico.