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Muitos psicanalistas atuais consideram a emulação analítica da função materna o fator essencial de correção das falhas estruturais derivadas de maternagem original inadequada. A ação terapêutica assim concebida destitui o impulso sexual reprimido da condição de agente etiológico principal. No entanto, a técnica interpretativa criada em função do resgate da sexualidade infantil reprimida continua em vigor como o método psicanalítico por excelência. Esse fato evidencia que a teoria freudiana das neuroses criou um método com característica de cláusula pétrea, intocável como se fosse um tabu. Essa técnica tem o inconveniente de não atingir estruturas afetivas não verbais, alcançáveis apenas por meios afetivos — mais precisamente, pela empatia do analista. A manutenção do método derivado da teoria das neuroses baseada na sexualidade infantil deve ser revisto, pois o núcleo estrutural da mente é formado a partir de experiências afetivas não pertencentes à esfera sexual. Consequentemente, a “metáfora arqueológica” é declarada obsoleta, já que analistas de vanguarda a substituíram pela intersubjetividade inerente à função materna analítica virtual, propiciadora de um processo identificatório estruturante. Esse processo merece ser chamado de psicanálise afetiva.