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A autora pretende, neste trabalho, trazer algumas de suas reflexões a partir da leitura da obra de JK Rowling sobre a estreita, irresoluta e aparentemente cindida relação que une Harry Potter e Tom Riddle, antagonistas ferrenhos e inimigos viscerais. O interesse de longa data pelas vicissitudes na vida dessa criança sofrida foi reativado pela leitura recente do Philosophe Magazine, hors-série, n. 31, “Harry Potter à l'école des philosophes” e do Le Point Références, décembre 2016/janvier2017, “Le bien et Le mal” textes fondamentaux, que funcionaram como motivadores das reflexões psicanalíticas que daí surgiram. As contribuições kleinianas e de seus seguidores, processadas pela compreensão da própria autora, formarão o corpo desse trabalho. Entretanto, este texto não pretende “analisar” Harry Potter ou Tom Riddle. Tampouco será uma análise de personagens, o que em se tratando desta obra, é extremamente tentador. O texto contém uma homenagem intrínseca aos pacientes crianças dos nossos consultórios, que sempre serão fonte inesgotável de descobertas para os psicanalistas de adultos. A dinâmica relacional entre “protagonista” e “antagonista” e o que, a partir dessa dinâmica, é estabelecido pela autora como compreensão psicanalítica serão o foco deste trabalho. Referências ocasionais a situações ou mesmo personagens serão factuais e deverão servir ao escopo principal do presente texto.