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Este trabalho tem por objetivo fazer uma contribuição para o estudo das adições, em especial, a tricotilomania, através das reflexões que se sedimentaram a partir de um atendimento psicanalítico. O caso é relatado e a autora utiliza dois modelos: a dança como metáfora do processo de relacionar-se com outro ser humano, processo este que se constrói na rotina de cuidados da mãe para com seu bebê e o insere no mundo das relações objetais através desta relação matricial; e uma estória infantil — O conto de chapeuzinho vermelho.
Este conto é utilizado para ilustrar a criação de uma falsa condição de pseudoindependência que confere à personagem principal a possibilidade de transitar no mundo. Trata-se de uma formação de segunda pele (Bick, 1987), que forja uma contenção psíquica precária e a mantém num mundo de altamente sensorial, que dificulta a instalação dos processos introjetivos e consequente constituição de um mundo interno. A teoria sobre as dimensionalidades, tal como descreve Meltzer (1979), nos ajudará a compreender a evolução deste processo que se lastreia na criação e recorrência á um objeto aditivo como consequência de perturbações no desenvolvimento emocional.