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Retoma-se a pulsão de apoderamento (Bemächtigungstrieb,) utilizada por Freud para expor semelhanças e diferenças da Teoria do Apego de Bowlby, A ilustração da hipótese é feita no caso de uma criança autista Naoki. Primeiramente apresenta-se a aproximação do apego numa expressão do apoderamento; em seguida, a distinção da pulsão como potência psíquica indeterminável para a tomada do mundo, fundamental à constituição subjetiva, e por último, a inoperância da apassivação, como consequências da psicopatologia do apoderamento. Metodologicamente extraiu-se do livro “O que me faz pular”, de Naoki, publicado em 2014 quando tinha apenas 13 anos. Aponta-se a ausência do terceiro tempo da pulsão, resultando na impossibilidade de se fazer para o outro, ou, como posto por Naoki, “alguma coisa não funciona bem”. Destaca-se o aparelho de apoderamento no autismo, sob o signo da estereotipa, cuja função é estabelecer a ordem psíquica, operado essencialmente na voz, o objeto de apropriação/rejeição, dado por Naoki “nós olhamos a voz”. Por fim, sublinha-se a o apoderar-se no autismo, como aposta do trânsito de se fazer para si, a se fazer para o Outro, o que Naoki revela não apenas em sua escrita, mas condição de fazer seu lugar humano no mundo.