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Este artigo, derivado de uma pesquisa de doutorado, analisa a relação entre a construção parental e a constituição psíquica do bebê em gestações de alto risco. Consideramos o ambiente familiar e social para analisar as transformações emocionais dos pais e os possíveis impactos na constituição psíquica do bebê. A apreensão dos dados empíricos foi previamente fundamentada nas contribuições de Freud, Winnicott, Aulagnier e Dolto. Realizamos uma pesquisa transversal, com amostragem não probabilística, incluindo três etapas de entrevistas, seguida de uma análise qualitativa e comparativa entre famílias com gestação de risco e gestação típica, antes e depois do nascimento. O excesso de interferência familiar e profissional é uma característica frequente no contexto de risco que pode fragilizar a interação pais-bebê. Aspectos como a saúde mental materna e o histórico de traumas dos pais foram identificados como fatores de riscos para a interação, independentemente do contexto gestacional. A proposta de cuidado considera políticas públicas que favoreçam a expressão da singularidade e autonomia parental, além de um espaço de acolhimento para os medos e desejos no entorno da experiência de gestar e parir um bebê.