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Nossa proposta parte da escolha de nos debruçarmos em torno da discussão do narcisismo como um eixo estrutural para pensar o racismo e, por conseguinte, construir nesse processo, o que poderia ser mais uma contribuição da psicanálise para as questões raciais*. Assim, a partir da leitura do texto Introdução ao Narcisismo1 e, em vista disso, tomando o narcisismo como o protótipo das questões identificatórias que nos constitui como sujeito, o trabalho propõe-se a refletir sobre a ideia de corpos brancos e o tempo de instaurar conflitos, através de um ensaio ou narrativa construída por negras e negros, que trazem em sua história, bem como, de seu povo, os efeitos de terem seus corpos e almas racializados. Tal processo determina o viver sob a égide de conflitos que não nos pertencem. Entretanto, o destino que nos foi, e segue sendo traçado pelo colonizador, numa temporalidade comprometida com a perpetuação do tempo passado no tempo presente, faz com que na dramática de nossas vidas, nossos corpos deem morada, numa dinâmica identificatória narcísica tanática, a tudo que é abjeto no universo da branquitude: negro emoção, o pulsional desgarrado – branco razão, o pulsional domesticado.