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Desde os trabalhos pioneiros de Sigmund Freud, a pesquisa psicanalítica revelou a importância do papel do Ego no quadro da saúde e da doença mentais, e a Psicanálise a pouco e pouco passou a põr seu fulcro na Psicologia do Ego. Numeroso ról de investigadores entregaram-se à tarefa de descobrir e descrever as particularidades da origem, da estruturação, do desenvolvimento, do funcionamento normal e patológico do Ego. Dentre todos, Federn, Anna Freud, Hartmann, Kris, Loewenstein, D. Rapaport, W. Hoffer Spitz, Fairbairn, M. Klein e colaboradores e E. Erikson trouxeram contribusções hoje clássicas no corpo de doutrina psicanalítico.
Em minha práctica, tive oportunidade de tratar de um caso que por questões particularísimas permite documentar alguns dêstes aspectos, sobretudo quanto aos processos de estructuração (mais apropriadamente, à “reestruturação regressiva”) do Ego, através de produção literária de uma paciente.
Para melhor avaliar o material em que a doente descreve a “invenção do eu”, denominação por ela dada ao processo, resumirei a seguir alguns elementos de seu tratamento, que se estendeu por cêrca de 4 anos (aproximadamente 700 horas de análise).
Trata-se de uma moça de 35 anos, a quem chamarei Ana, com formação universitária, mais velha quinze meses que outra irmã, filhas de um matrimônio em que o pai, embora tendo ocupado posições públicas de destaque, era uma figura fraca, dominado pela mãe, mulhe forte, impositiva e absorvente, descendente de tradicional família brasileira. No mundo infantil de Ana (que ainda roje vive com, os pais, a tia e a irmã) tem muita importância uma outra figura de mulher, irmã mais ve1ha da mãe, que com esta sempre