DONALD Winnicott foi o psicanalista que veio da Pediatria, e que, a partir das observações que realizou em cerca de 60.000 crianças, e muitos adultos, teorizou sobre a enorme importância do jogo na vida de todos nós, crianças e adultos.
E disse, no seu célebre artigo Playing: A Theoretical Statement * “… é o jogo que é universal, e que pertence à saúde: brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde; brincar conduz às relações de grupo; o jogo pode ser uma forma de comunicação na psicoterapia; e finalmente, a psicanálise foi desenvolvida como uma forma de jogo altamente especializado ao serviço da comunicação consigo próprio e com os outros.”
Na infância, essa área intermediária (espaço transicional) onde se passa o jogo, é indispensável à iniciação duma relação entre a criança e o mundo. No adulto, a área intermediária é indispensável a uma boa relação com o mundo objectivo. O jogo, a cultura, o diálogo como troca, como exercício, e com prazer – constituem a área onde nos encontramos e estabelecemos pactos para a construção de boas relações. A partir daí, a colaboração, a discordância, a discussão, o acordo, a separação, os factos da vida em sociedade – têm uma base e serão, talvez não pacíficos, mas pelo menos, viáveis.
Neste número da RPP, publicamos com prazer o que cientistas, investigadores, economistas, artistas e psicanalistas, discorreram, criaram e jogaram na VI edição dos “Colóquios do Porto: Psicanálise e Cultura” – “O Homem e o(s) Jogo(s)” que se realizou no Porto em 14 e 15 Novembro 2008.
Manuela Ferraz da Costa e Rui Coelho
* (1971). Playing – A Theoretical Statement, in Playing and Reality, Penguin Books, England.