Se nos ativermos à sabedoria popular, há uma aparente contradição no título apresentado: diz o povo que a sorte no jogo se acompanha de azar no amor. Quer isto dizer que é difícil conjugar a brincadeira do jogo com a seriedade do amor.
Será?
Uma análise mais profunda e extensa, bem como detalhada e fina, conduz-nos a uma conclusão diferente: os dois acontecimentos ou processos articulam-se em espiral desenvolutiva – mais gozo, mais paixão – ou, dito de modo mais incisivo, potenciam-se reciprocamente, desenhando um círculo virtuoso ou expansivo – mais jogo, mais amor, mais jogo ainda e mais amor em retorno, e assim se progride, na vida como na análise.
Mas será verdade que assim é, ou trata-se apenas da convicção ilusória da infinitude da virtude, diria, da felicidade?
Temos por certo que só o pensamento é infinito. Mas mesmo esse, se tende para além da finitude do possível, desliza, pelo caos da mania, para a incongruência do delírio. O que não significa que não se procurem condições de possibilitação para o que se apresenta como pouco possível – esta é a virtude do entusiasmo e da fé (no sentido de esperança), que, quer um quer a outra, não devem ser infinitos. O entusiasmo excessivo descamba em megalomania; a fé inabalável, em vã esperança.
No jogo como no amor é preciso contenção, isto é, o travão da razão. É por isso e para isso que dispomos de dois hemisférios cerebrais em funcionamento conjugado: com a lógica assimétrica da não contradição (hemisfério dominante, da racionalidade) e a lógica simétrica das séries
Conferência apresentada nos Colóquios do Porto – Psicanálise e Cultura: “O Homem e o(s) Jogo(s)”. Porto, 14 e 15 de Novembro de 2008.
Psicanalista.
infinitas (hemisfério dominado, da emocionalidade), funcionando o conjunto em sistema bilógico articulado – dois conjuntos específicos e complementares formam um conjunto-universo de operacionalidade superior e integrada. Esta concepção integradora de Ignacio Matte-Blanco – bilógica do funcionamento mental – supera as dificuldades epistémicas da dicotomia consciente/inconsciente e da convergência ou divergência do implícito e explícito. É um super-sistema de complexidade acrescida e novas propriedades emergentes – o todo, sói dizer-se, é maior que a soma das partes.
Assim, tanto na vida como na análise, só quando o todo se desintegra ou uma parte desbanca (vence, domina ou mesmo elimina a outra), deixa de haver funcionamento integral ou harmonia conjugal. Então, é a doença, a anomalia, o desvio ou o vício – na mente, no par ou no grupo; porque o princípio da conjugação de sistemas diferentes mas complementares formando super-sistemas mais complexos e mais operantes é válido para a mente individual e para a associação/colaboração de mentes.
Por falar de vícios, abrimos um parêntesis para dizer que nem todo o vício, desajustamento ou competição é prejudicial; pelo contrário, a desregulação e a contrariedade servem de alerta ou de estímulo para o reajustamento ou divergência criativa. O cor-de-rosa dos contos de fadas madrinhas serve a entropia, assim como o azul do conservadorismo ou da censura alimenta a estagnação/repetição ou a repressão; é preferível o vermelho da revolução e mudança. Na tarefa de inovação e desenvolvimento – que é a nossa como psicanalistas e cidadãos interventivos – “os vícios do homem são quase tão úteis à sociedade como as suas virtudes”, repetindo o dizer de Alexis de Tocqueville em Da Democracia na América. Vícios públicos – visíveis – potenciam virtudes privadas – intrínsecas –; não fora a relação viva, vivaz e vivificante feita de ajustamentos, desajustamentos e reajustamentos, sendo o desajustamento e a oposição as molas reais do progresso e da mudança.
Não fazemos, como alguns distraidamente (quiçá, malévola, soberba ou empastadamente) pensam, a apologia de uma bondade ingénua ou empafiada. A criatividade emerge do pensamento divergente, é no desequilíbrio à procura do equilíbrio que a desenvolução se processa, como é na oscilação pendular entre cooperação e competição que o percurso motivante, cognoscitivo e transformador se processa. Mas diálogo e debate não são polémica e guerra; e, porque sabemos que a cooperação e confiança promovem mais desenvolvimento e inovação que a competição e desconfiança, temos fé (esperança) na vitória da libido sobre os
ímpetos tanáticos. Não é uma mundivisão rósea; mas uma filosofia púrpura, de dignidade do pensamento.
De facto, na análise como na vida, o espírito intrépido procura reformar/transformar e não apenas regenerar/restaurar. Portanto, joga – no sentido de se lançar na conquista e criação do novo e inexistente –, arrisca; de preferência, com uma componente lúdica, de brincadeira, e o respectivo proveito do prazer de bem funcionar, com gozo, humor e alegria. Mas, ao mesmo tempo, ama: compromete-se, vincula-se, dá-se – pois amor-amor, o verdadeiro amor, é dádiva, amor oblativo, generoso; e não, pedido, amor captativo, narcísico. O amor autêntico é ainda incondicional, não no sentido bacoco de excessivo, untuoso e pingalho, mas no sentido de não condicional à retribuição (que não cobra), nem a favores de retorno ou submissão do amado ou ainda a atributos específicos/“condições” deste (docilidade, inteligência, beleza, etc.) que interessem/sejam valorativos para o amante. O amor genuíno é espontâneo, não reactivo; não deriva de estímulos, mas da necessidade interna de amar. O amor não é egoísta, é altruísta; traduz uma necessidade gregária, social. O Homem é um animal político (habitante da pólis, social) – Aristóteles dixit; pelo menos, o homem civilizado, mas também, dizemos nós, o bárbaro.
Jogos de amor. Mas será o amor um jogo ou um trabalho? As duas coisas: um divertimento (o melhor de todos) e um trabalho produtivo – de reconhecimento mútuo, permuta afectiva recíproca, crescimento pessoal diadicamente expandido, desenvolvimento de valências individuais não saturadas, comunhão de sonhos possíveis e projectos realizáveis e, acima de tudo, de criação exponencialmente potencializada pela relação de complementaridade desejante e aberta à inovação – o sistema amoroso é um sistema aberto, ao contrário do sadomasoquista, que é fechado.
Há uma outra questão importante e à qual não queremos fugir. Jogo e/ou trabalho, o amor, como tudo o que é natural, é incerto e indeterminado, tanta é a variedade e variação das coisas e dos acontecimentos, acrescentando-se, em matéria da natureza humana, a imprecisão da percepção, a indeterminância da intencionalidade e a bruma na comunicação. São, tudo é, movimentos relacionais de sintonização, em que à nebulosa do percebido o sujeito responde com vagueação da intencionalidade.
Por conseguinte, um certo grau de aleatoriedade – sorte ou azar, em terminologia banal – é atributo incontestável e incontornável desta sopa
de fenómenos e númenos, aparências e essências, em que se move a experiência e existência humanas. “Contudo, ela move-se”, sussurrava Galileu após ter cumprido um forçado acto de fé. Pois move, mas nem sempre na trajectória concebida; frequentemente, em irregulares movimentos brownianos: a deriva para acertar o passo nos eleitos, a sopa rala nos pobres de espírito – que não dançam, apenas se esfregam.
Por tal, no amor como no ódio, no apreço como no desprezo e na afeição como na indiferença, não é o caos nem o cosmos, a inconsequência ou a regularidade, como vemos nos sistemas físicos, não animados (sem alma); é, sim, a intersubjectividade, matriz da subjectividade, e a interintencionalidade, cadinho da intencionalidade consistente nascente – como propriedade emergente da relação funcionante. Assim nasce o espírito, mente ou alma, o animus, o sopro da vida mental, derivada esta da vida relacional, de relação. Por isso falamos de uma psicanálise da relação ou, de uma forma simplificada mas menos exacta, “psicanálise relacional” – que é, acrescentamos, a Psicanálise Contemporânea, pós-clássica.
Na sequência do desenvolvimento mental, o infante (está ainda no período pré-verbal) passa do mimetismo (identificação mimética ou adesiva) para a construção mítica (mais tarde chegará ao processamento semântico), via leitura da intencionalidade do outro/o objecto (que se segue à empatia, função dos neurónios-espelho). Diz-se que possui, a partir de então, uma “teoria da mente” – e, agora, reconhece o outro/o objecto como “objecto portador de desejos próprios”, um alter, um outro semelhante mas diferente.
Aqui chegados, devemos distinguir vários tipos de amor naturais e não patológicos.
Amor pais-filhos, parental-filial, ou ligação-vinculação (bonding-attachment), vínculo protector-protegido e cuidador-cuidado, relação de segurança e ajuda. É uma relação assimétrica, de eixo vertical, em que o principal responsável é o animal alfa; é também uma relação de dependência. É a primeira e fundamental relação de amor, com os seus jogos, tácticas e estratégias de sedução e domínio. É uma relação unívoca, cada um tem a sua voz: António é pai de Francisco, Francisco é filho de António.
Amor fraterno ou amizade. É uma relação simétrica, horizontal, interdependente e biunívoca: Manuel é amigo de José e José de Manuel. Predomina a comunhão identitária e a identificação por similaridade. É uma relação de filia, não de erotismo.
Amor conjugal ou conjugalidade. Relação simétrica e assimétrica (simetria de poderes, assimetria de funções), horizontal, interdependente e uni-biunívoca (vozes de energia igual e sentidos diversos: amamo-nos; eu penetro, tu és penetrada); caracteriza-se pela complementaridade identitária (diferentes mas complementares) e identificação por complementaridade (faz-se homem convivendo com mulheres). É a relação mais enriquecedora e criativa, desde que as valências de cada um não se saturem numa união fechada, estanque e perfeita – que ditaria a suspensão do desenvolvimento e a morte da criatividade. É a verdadeira relação desenvolvimentista e criadora, tanto mais quanto maior a exogamia e xenofilia – estas enriquecem o património genético e o património cultural.
A relação de complementaridade insaturada é transversal, isto é, atravessa os três tipos de relação anteriormente descritos, os três padrões relacionais evolutivos.
Mas há mais, nesta vastidão e complexidade do amor:
O amor terno e o amor erótico, o “teorema da ternura” (de Harry Strack Sullivan) e a lei da sexualidade (Freud).
A intimidade psíquica partilhada e a intimidade sexual.
Os movimentos relacionais de afinação afectiva e os movimentos de aproximação erótica.
A excitação erótica e resolução orgástica, e a consolidação afectiva e constância objectal.
A relação consistente da partilha amorosa e a relação episódica da satisfação sexual.
O amor propriamente dito e o sexo simplesmente expresso.
Há, sobretudo:
A eficiência da relação afectivo-sexual e a eficácia da relação sexual.
A transpiração dos corpos e a inspiração das almas.
O enamoramento ou amor nascente, a paixão arrebatadora e o amor maduro e sereno.
Há, ainda:
A dedicação mútua em prol do desenvolvimento de um terceiro: filho, saúde, expansão da mente, ideal, legado de cultura.
E é nesta finalidade última e sublime – o produto da criação – que o amor, afinal, reside e se realiza. Mas, atenção: não é o nascimento do messias, é a criação da obra.
Porém, a distinção talvez mais importante, e desde cedo reconhecida pela psicanálise – Freud, Abraham, Klein –, é entre o amor parcial ou do
objecto parcial ou parcializado e o amor total ou do objecto total. O primeiro investindo uma parte – a ideal ou a carnal, amor platónico e amor erótico; uma porção do corpo ou um atributo do carácter –; o segundo, o todo psicossomático. O enfeitiçante amor parcial – seios, pénis, etc. –, pois de um feitiço ou fetiche encantador se trata, onde se concentra em dedo de luva o investimento do sujeito, traduzindo uma visão tubular da realidade; o espraiante amor total – pela pessoa – onde se deleita a natureza amante do Homem. O amor pelo curioso ou esquisito detalhe da Natureza ou o amor pela obra acabada da Criação. O ser clivado que se cega à harmonia do conjunto e o ser expandido que abraça a sinfonia da existência. O mentecapto afectivo e o génio da inteligência emocional. Em linguagem psicanalítica dura, o perverso e o genital.
“É boa por todos os lados”, diz um jovem em período intermédio de maturação psico-afectiva.
“Efectivamente, eu não sei, não consigo aproximar-me de uma mulher com naturalidade, ter com elas – como tenho com os homens – uma proximidade linear, livre, sem este bichinho do interesse erótico; ter uma intimidade simples, humana. Ou fico tímido, inibido, distante, fóbico, sem à vontade; ou começo logo a construir cenários eróticos, a dizer piropos, a fazer avanços, a seduzir. Pareço um fauno das florestas, um macaco em período de cio. Isto é um grande problema, um defeito, uma deformação. Mas pensava que era a minha exuberância sexual” – assim se expressa, numa sessão, um paciente melancólico, reconhecendo a sua triste defesa/compensação para os seus sentimentos de inferioridade, o seu défice falo-narcísico, a sua falha de compleição narcísea.
Quase nos repetimos, mas queremos ainda afirmar:
Só há um tipo de amor – o amor altruísta. O “amor egoísta” não é amor mas exploração. Assim, para o verdadeiro amante o que importa é o bem-estar da pessoa amada, o seu é secundário.
Mas é necessário não confundir o bem-estar do outro com o prazer do outro. Esta confusão é típica na personalidade histérica com traço narcísico e textura borderline.
“O que me motiva é dar prazer aos homens”, refere uma paciente histérica. Nesta confissão está implícito o desejo de realização narcísica: ser uma grande mulher e reconhecida como tal pelos homens. A sexualidade imatura e perversa ressalta do seu comentário.
O amor é dádiva; não conquista. Por outras palavras: o amor autêntico é oblativo, não é captativo.
Porque o Homem é um ser diferente: construtor de novas realidades (instrumentos, máquinas e procedimentos), inventor; e criador de novos conceitos, construtor simbólico (teorias, paradigmas, rituais e tradições; valores, ideais, princípios e normas). Transforma a realidade – material e social – e transcende-a – cria um mundo de novos significados ou, se quisermos, de significado acrescentado (cultura); vale dizer, transforma o real e calibra o sonho. Do símio para o ser humano há um grande salto evolutivo (quantitativo e qualitativo), determinado pela explosão do imaginário e concepção do simbólico.
O amor genital é abnegado, reconhece, respeita e valoriza o objecto. É tolerante e grato, benevolente e acolhedor. Aprecia a partilha e a intimidade, mas considera e respeita os limites – que o sujeito adequa ao tipo de relação (parental, filial, amorosa, amistosa, de colaboração em trabalho físico ou intelectual) e à necessidade do objecto. Genital, entenda-se, não quer dizer sexual, mas maduro afectivamente. Não brinca, joga a sério, mantendo embora a dimensão lúdica e de humor, que é um fio essencial – o “fio amarelo” (só porque eu gosto do amarelo) – da tecedura de uma relação feliz. Poderíamos dizer, na peugada de Lacan, que integra o prazer do real, o gozo do imaginário e a alegria do simbólico – é concreto, fantasista e conceptual; do episódico, passando pelo mítico, atinge o semântico. Não é pusilânime mas magnânime. É amor, senhoras e senhores! Não é exploração, nem exibição narcísica. É relacional, não é masturbação a dois. “Sempre a relação, não é?”, dizia-me em tempos uma aluna. Sim, a relação complementar não saturada – única livre, satisfatória e criativa, numa palavra, amorosa.
Homo sapiens, na sua evolução – da barbárie para a civilização, da sanzala para a pólis, da tribo para a sociedade com especialização de funções e separação de poderes – faz todo um percurso progressivo para a liberdade, igualdade e fraternidade. Assim conquista a alegria de viver e acede à imortalidade simbólica – pela experiência de profunda e prolongada intimidade (conjugalidade), pela vivência do sentimento de pertença através da afiliação num grupo (irmandade), pelo seu prolongamento na sua descendência (procriação), pela invenção/construção de novidade dirigida a um fim (tendência teleológica), pela criação simbólica (valores, ideais e normas). Vitais e quase imortais, somos nós, os fruidores da existência e da cultura; longe de Édipo culpado, próximos de Ulisses dedicado – por amor.
Também nos zangamos. Mas a zanga é para corrigir o objecto; entra ainda no círculo do amor (psicopatologicamente, faz parte do espectro da neurose e da depressão).
Coisa diferente é o ódio, que visa destruir o outro e é atributo da porção psicótica e borderline do funcionamento mental.
Por último:
Jogos de amor são sempre jogos de alegria. E quem tudo verdadeiramente sabe só no amor confia.
Porque amor é vida! Só efectivamente vivemos quando e enquanto amamos.
Mas, melhor do que eu, di-lo o poeta brasileiro Manuel Bandeira no seu Madrigal Melancólico. Cito apenas as duas últimas estrofes:
O que eu adoro em tua natureza,Não é o profundo instinto maternalEm teu flanco aberto como uma ferida.Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!O que eu adoro em ti, é a vida.
Ele, Bandeira, que saía da depressão pelo processo de criação – criando no lugar da saudade, a partir “daquilo que não foi mas podia ter sido” (frase que traduz a relação depressígena – que fica aquém do desejo e da fantasia). É isto a relação suspensa – vera origem da dor mental –, que, na análise, a relação terapêutica (nova relação) retoma e desenvolve – retoma do desenvolvimento suspenso – e, na vida diária, um novo e expansivo amor consolida e catapulta para além do horizonte actual. É a realização do sonho-projecto que se prolonga pela imortalidade simbólica legando aos vindouros uma herança cultural viva e fecunda – para que vivam num mundo melhor que o nosso (é o amor de pai ou mãe). E assim se elabora e esbate a angústia existencial – angústia, tipicamente humana, perante o conhecimento da finitude da existência individual. É a marca, é a obra – daqueles “Que se vão da lei da morte libertando” (Camões). E isto acontece pelo triunfo do amor.
Um hino ao amor? Porquê não?! Em tempo de crise – do mercado, do capital e do emprego –, é de nos recentrarmos nos valores.
Tenho dito.
O que eu adoro em ti,Não é a tua beleza.A beleza, é em nós que ela existe.A beleza é um conceito.E a beleza é triste.Não é triste em si,Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.O que eu adoro em ti,Não é a tua inteligência.Não é o teu espírito subtil,Tão ágil, tão luminoso,– Ave solta no céu matinal da montanha.Nem é a tua ciênciaDo coração dos homens e das coisas.O que eu adoro em ti,Não é a tua graça musical,Sucessiva e renovada a cada momento,Graça aérea como o teu próprio pensamento,Graça que perturba e que satisfaz.O que eu adoro em ti,Não é a mãe que já perdi.Não é a irmã que já perdi.E meu pai.
Manuel Bandeira, 11 de Julho de 1920