OTTO KERNBERG é, de entre os famosos, o psicanalista que mais integrou, conciliou, sintetizou, as diversas, e aparentemente díspares, teorias psicanalíticas que existiam à época da sua maturidade profissional.
Nascido em Viena em 1928, cresceu no Chile, onde se tornou médico e psicanalista, e fez depois vida profissional nos EUA, onde hoje reside. Exprime-se em inglês, alemão, espanhol e francês. Foi professor de psiquiatria, director de hospital psiquiátrico, e psicanalista didáctico.
O seu pensamento – eclético – tem raízes em Melanie Klein, Ronald Fairbairn, Edith Jacobson, Margaret Mahler. Lidou com a Psicologia do Eu e aprecia a psicanálise francesa. A sua teoria – original – reúne num corpo coerente e consistente, esses aportes teóricos, e os dados duma longa experiência; essa experiência serviu de base a uma investigação rigorosa e controlada – atitude em que foi pioneiro, na psicanálise. Kernberg criou uma nova metodologia de diagnóstico, que recoloca este como um instrumento útil ao estabelecimento da indicação de psicanálise ou de psicoterapia psicanalítica; desenvolveu uma técnica específica de psicoterapia psicanalítica para os casos em que a psicanálise não é adequada, alargando assim o nosso âmbito de actividade.
Kernberg foi um Presidente da Associação Psicanalítica Internacional (1997-2001) que introduziu profundas alterações na sua estrutura, que se tornara pesada, e centralizadora. Kernberg foi o analista didacta que – sem demagogia e com preocupação – publicou em 1996 “Trinta maneiras de destruir a criatividade nos candidatos psicanalíticos”1.
Por todas estas, e mais razões, é para nós uma honra publicar na Revista Portuguesa de Psicanálise um artigo inédito de que é co-autor Otto Kernberg.
(1996). Thirty methods to destroy the creativity of psychoanalytic candidates. Int. J. Psychoanal., 77: 1032-1040.
É também com satisfação que damos início a uma nova Rubrica que será útil aos leitores; a recensão crítica de obras recentes de psicanálise, elaborada por psicanalistas de referência, pertencentes à Sociedade Portuguesa de Psicanálise. Tentamos assim contribuir para uma informação vasta e rigorosa sobre psicanálise, e para a divulgação de obras de qualidade.
E falando de divulgação, trazemos até vós mais uma nova rubrica: História(s) da Psicanálise, onde caberão História e histórias que interessem à Psicanálise. Daremos início a esta(s) História(s) com uma entrevista com “a última doente viva de Freud”, cuja inteligência e vivacidade vivamente recomendamos.
Manuela Ferraz da Costa e Rui Coelho