DESDE SEMPRE, a psicanálise desencadeou na sociedade, uma atracção/rejeição a que não é alheio o seu objecto – o Inconsciente, aquela parte de nós que, no nosso quotidiano mais superficial, não podemos ou até não desejamos conhecer. A atracção venceu, e mais de um século depois, a psicanálise faz parte do nosso universo de saberes e, sob diversas formas e derivados, duma generalidade de práticas terapêuticas, educativas, artísticas.
A teoria psicanalítica ocupa hoje um lugar importante e incontestado, entre outras que se ocupam do funcionamento psíquico.
A prática terapêutica enfrenta, porém, um desafio, o da pressa que caracteriza hoje muitas áreas de comportamento, de relacionamento, de vida. É difícil conciliar a prática psicanalítica com essa necessidade/exigência de rapidez que tende a ser-nos imposta.
Resta à Investigação estudar e, expectavelmente, demonstrar que o ritmo moroso dos tratamentos psicanalíticos é aquele que mais se coaduna com a mudança psíquica que pretende obter-se, e que, numa perspectiva de longo prazo, tal morosidade compensa.
Manuela Ferraz da Costa e Rui Coelho