HOMENAGEAR UMA PESSOA de quem se gosta é um grande prazer. Pensar, imaginar, pedir a outros o seu contributo, receber e compilar os textos belos que, somados, constituem esta Revista – foi para nós um trabalho de alegria e de encontro.
Encontro com Pedro Luzes. Winnicott disse de James Strachey, seu primeiro analista: “será sempre o meu exemplo preferido de um analista”1. Pedro Luzes analista, Presidente, supervisor, conferencista, representante da SPP na comunidade alargada, mentor, interlocutor, amigo, culto, sabedor – é para nós o exemplo da figura parental numa sociedade de psicanálise.
“Flutua mas não se afunda” – divisa da cidade de Paris, adoptada por Freud ao escrever sobre o Movimento Psicanalítico2, é a frase que escolhemos para ilustrar este número da RPP. Porque cremos que lhe agradará, e porque é essa a mensagem que nos transmitiu, numa lúcida mistura de desilusão e esperança, própria de quem viveu intensamente uma longa existência.
Agradecemos à Direcção e à Comissão de Ensino da nossa Sociedade o terem-nos dado esta incumbência, e agradecemos a todos os Autores que aqui escreveram para Pedro Luzes, com óbvios amizade e apreço, partilhando com quem os lê as imagens que têm do seu Amigo, Professor, Colega, imagens ricas e plurifacetadas como a personalidade do homenageado.
Ao dar a conhecer Pedro Luzes, alguns destes textos recriam também a História da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, a História da Psicanálise em Portugal, incarnada num dos seus principais obreiros.
Limites de espaço e de tempo, e o desejo de apresentar este trabalho, levam-nos a ficar por aqui, cientes, porém, de que esta homenagem poderia e deveria ir mais longe, na expressão do nosso apreço e do nosso agradecimento.
Manuela Ferraz da Costa e Rui Coelho