NO TEMPO PRESENTE, dirigir uma revista científica de espectro social e cultural vasto e abrangente, é necessariamente uma aventura. Dar continuidade ao excelente trabalho desenvolvido pela anterior direcção da Revista Portuguesa de Psicanálise, que soube impor-se sempre perante o acesso esmagador e facilitado à informação digital, acresce a esta aventura uma responsabilidade elevada.
Em Psicanálise, a escrita sempre ocupou um lugar determinante: porque obriga a uma disciplina intelectual sólida e rigorosa, e também porque conjuga uma função elaborativa.
Ambas surgem inerentes à prática clínica, mas igualmente na construção da identidade analítica, e do ser “AUTOR”.
Ser “Autor”, em Psicanálise, surge da necessidade reflexiva sobre questões que exigem trabalho, decorrentes da prática clínica, do aprofundamento de conceitos complexos que pressupõem um interlocutor internalizado. Escrever é inevitavelmente um processo formativo contínuo do psicanalista, capaz de mobilizar aspectos internos que assim ganham uma expressão pública.
A Revista Portuguesa de Psicanálise, pela sua história e lugar singular, expressa um estilo identitário de Ser Psicanalista em Portugal e do pensamento da Psicanálise Portuguesa.
Pretendemos que continue a ser um espaço de debate fundamentado e rigoroso, que promova o desenvolvimento da teoria Psicanalítica, da prática clínica e da Psicanálise na sociedade e na cultura da língua Portuguesa.
Para esta aventura e co-responsabilidade de dar continuidade à edição da Revista Portuguesa de Psicanálise de salientar a pronta colaboração de colegas generosos, que sabiamente me contagiam com o seu entusiasmo e dinamismo, para dar uma resposta capaz e dinâmica ao amável convite e confiança que a Direcção da Sociedade Portuguesa de Psicanálise me colocou.
Neste número apresentamos uma sequência natural e justa do trabalho rigorosamente organizado pela direcção anterior, ao que acrescentámos somente um breve comentário do excelente artigo convidado de António Perez-Sanches sobre Psicanálise e Psicoterapia Psicanalítica, que Carlos Farate prontamente elaborou.
Com textos de Orlando Fialho, de Orlando Von Doellinger e ainda um outro em co-autoria, de Ana Belchior Melícias, Corina Fernandes e Csongor Juhos, surge uma interessante secção de artigos teóricos actuais.
Realçamos ainda a colaboração de colegas de outras sociedades, bem como de recensões de livros e de filmes, que fazem deste número da revista um conjunto que pensamos coerente e actual.
Lisboa, Março de 2013
Rui Aragão Oliveira
Director da Revista Portuguesa de Psicanálise