As produções artísticas podem ser consideradas como produtos do Inconsciente. Elementos da teoria psicanalítica foram identificados em obras de literatura, peças de teatro, pinturas, esculturas, mitos e contos de fadas. O presente estudo tem como objetivo analisar a série cinematográfica “Guerra nas Estrelas” (“Star Wars”) de acordo com o ponto de vista psicanalítico, tendo como principal referencial teórico a obra de Freud. Diversos conteúdos psicanalíticos foram identificados nesta série cinematográfica, tais como: omnipotência infantil, complexo de Édipo, complexo de castração, simbolismo, ambivalência, entre outros. A identificação de elementos pertencentes à teoria psicanalítica em diferentes contextos contribui para o fortalecimento do sentimento de convicção sobre essa teoria.
Inicialmente, poderíamos nos perguntar o porquê de analisar uma obra cinematográfica sob a ótica da psicanálise. Podemos responder que há diversos motivos para isso. O primeiro deles é que o analista deve treinar o seu olhar a fim de ser capaz de identificar elementos psicanalíticos em diferentes contextos. Outro motivo muito importante é o facto de que cada achado compatível com a teoria psicanalítica consiste em mais uma confirmação da mesma, contribuindo para o fortalecimento do sentimento de convicção sobre essa teoria (Freud, 1916)1.
Freud há muito já havia nos apontado as produções artísticas como produtos do Inconsciente, indicando a presença de conteúdos
Médica Pediatra e Psicanalista. Professora Adjunta da Universidade Federal do Ceará. Endereço: Rua Evangelista Sampaio, 1.300, Bairro: Venha Ver, Barbalha – CE, Brasil, Cep: 63.180-000. E-mail: genibalaban@hotmail.com.
Artigo recebido a 27 de Junho de 2012. Aceite para publicação a 4 de Julho de 2012.
psicanalíticos em obras de literatura, peças de teatro, pinturas, esculturas, mitos, contos de fadas. Exemplos como esses podem ser encontrados em suas análises das obras de Jensen, Shakespeare, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Dostoievski, entre outros, culminando com a magistral tragédia de Sófocles que daria nome a uma de suas mais significativas descobertas – o Complexo de Édipo (Freud, 1900, 1907, 1910, 1914, 1928).
Assim como Freud, outros empreenderam essa tarefa, tais como Otto Rank (Freud, 1923) e, mais recentemente, Bruno Bettelheim (1988) (A Psicanálise dos Contos de Fadas), Corso & Corso (2007) (Fadas no Divã), Ricardo Kelmer (2008) (em sua análise de base Jungiana da série cinematográfica “Matrix”). Corso & Corso (2007) comentam, inclusive, que os contos de fadas que persistiram ao longo do tempo são justamente aqueles que mais falam ao inconsciente, apontando assim a direção para encontrarmos uma das possíveis explicações para o extraordinário sucesso de “Guerra nas Estrelas”, que vem atravessando gerações e desafiando a passagem do tempo.
Em recente artigo, Bui et al (2011) apontaram características de transtorno de personalidade borderline em Anakin Skywalker, justamente um dos principais personagens de “Guerra nas Estrelas”, postulando que esse poderia ser um dos motivos do sucesso da série entre adolescentes e advogando o uso desse achado em estratégias educativas à população sobre os sintomas do transtorno de personalidade borderline.
Ressaltamos ainda que conteúdos provenientes de contos de fadas e de produções artísticas (literárias, cinematográficas e outras) podem surgir na fala de nossos pacientes em análise, como relata Freud sobre o conto “O Lobo e os Sete Cabritinhos” em seu célebre caso do “Homem dos Lobos”, de modo que o analista deve estar atento para identificá-los e desenvolvê-los (Freud, 1918).
Freud sempre defendeu a ampliação do uso da psicanálise como tema de pesquisa para além das fronteiras da terapêutica, indicando sua aplicação em áreas como educação, antropologia, sociologia, filosofia, religião, entre outras (Freud, 1913). Em nossos modernos tempos atuais, permitimo-nos imaginar que o grande mestre poderia estender sua análise também a áreas que antes seriam inusitadas, tais como marketing & propaganda e a indústria do entretenimento. Esse exercício de modo algum diminuiria o valor da teoria psicanalítica. Pelo contrário, ressaltaria a presença constante de seus elementos nas atividades humanas, transcendendo o passar do tempo, e destacaria uma vez mais a soberania do inconsciente a determinar nossos destinos.
Portanto, o presente estudo objetiva analisar a série cinematográfica “Guerra nas Estrelas” de acordo com o ponto de vista psicanalítico, tendo como principal referencial teórico a obra de Freud.
O herói de nossa estória é Luke Skywalker, mas antes de conhecê-lo, precisamos travar conhecimento com seu pai, Anakin Skywalker. Somos apresentados a Anakin Skywalker ainda criança, como um menino escravo, filho de uma mãe também escrava e que não tem pai. Nas palavras de sua mãe, ela simplesmente o gerou e o criou – nunca houve um pai. O menino Anakin é descoberto por um cavaleiro Jedi, o qual percebe que nele a Força manifesta-se com intensidade fora do comum, até mesmo maior do que em mestre Yoda – o mais importante entre os mestres Jedi – e passa então a acreditar que o menino poderia ser “O Escolhido” – aquele que traria equilíbrio à Força – conforme havia sido anunciado em uma profecia.
O menino é então treinado nas artes Jedi, apresentando excepcional desempenho. Contudo, para tornar-se um mestre Jedi faz-se necessário não apenas desenvolver as habilidades em combate, mas, principalmente, seguir um rigoroso código de ética. Anakin prova ser um cavaleiro valoroso, mas seu comportamento é instável, com tendência à rebeldia e à indisciplina, contrariando diversas vezes as orientações de seus mestres. Dentro dele trava-se um constante conflito entre sentimentos nobres e sombrios.
Contrariando o código Jedi, Anakin apaixona-se pela imperatriz e ela engravida. Após diversas situações de conflito, os sentimentos negativos, tais como medo e ambição, prevalecem e Anakin é então atraído irremediavelmente para “O Lado Negro da Força”. Essa transformação destruirá seu casamento, visto que a imperatriz não mais concordará em acompanhá-lo. A imperatriz dá à luz gêmeos – um menino e uma menina – e morre logo depois, devastada pela tristeza.
Após sua conversão para o “lado sombrio”, Anakin passa a ser conhecido como Darth Vader. Por decisão de mestre Yoda, como uma medida de proteção, os gêmeos serão criados separados, cada um em uma família diferente, para que o pai não os possa encontrar. A menina irá tornar-se a Princesa Léia. E o menino é o herói – Luke Skywalker.
Luke Skywalker fará parte de um grupo de rebeldes que luta contra a tirania do poderoso Lorde das Trevas, Darth Vader. A princesa Léia chefia esse grupo, mas durante longo tempo eles desconhecerão o fato
de serem irmãos. Luke receberá treinamento do próprio mestre Yoda, tornando-se um grande cavaleiro Jedi. Ele cresce sem saber que é filho de Darth Vader, mas o destino os colocará frente a frente e a ele caberá a missão de matar o pai.
Em “Moisés e o Monoteísmo”, Freud descreve e analisa um padrão observado em diversos mitos sobre o nascimento de heróis (Freud, 1939). Ele relata que o herói é geralmente originário de uma família aristocrática, freqüentemente de natureza real, mas comumente é criado por uma família simples. Freud salienta que os primeiros anos da criança são marcados por uma supervalorização dos pais, de modo que nos produtos do inconsciente, tais como os sonhos, os pais costumam ser representados por reis e rainhas ou imperadores e imperatrizes. Posteriormente, o indivíduo irá adotar uma atitude crítica para com os pais e irá, progressivamente, desligar-se deles. Portanto, as duas famílias do mito representam, na verdade, a mesma família do indivíduo, de acordo com o modo pelo qual ela é percebida em diferentes fases do seu desenvolvimento. Freud acrescenta ainda que o herói é alguém que teve coragem de rebelar-se contra o pai e, finalmente, consegue sobrepujá-lo vitoriosamente. Todos esses elementos podem ser observados na trajetória de vida de Luke Skywalker.
O nome do herói – Luke – também é digno de nota. De acordo com Freud, há pouco espaço para o acaso no funcionamento de nosso aparelho mental; ao contrário, obedecemos a um importante determinismo psíquico, de modo que mesmo nomes ou números escolhidos aparentemente ao acaso o são na verdade em obediência a determinantes psíquicos inconscientes (Freud, 1901). Portanto, não parece ser uma simples coincidência a semelhança entre o nome do herói e o nome do criador de “Guerra nas Estrelas”, George Lucas.
Logo no início da trama, chama nossa atenção a aparência demasiadamente jovem da imperatriz e de seu povo, os quais parecem praticamente crianças. Parece contraditório os cavaleiros Jedi prestarem obediência a essa imperatriz-menina. Compreendemos então que essa representação da imperatriz é sobredeterminada por vários fatores. Primeiramente, ela representa a onipotência infantil (Freud, 1909). Por outro lado, sabemos que o inconsciente é atemporal e que o indivíduo guarda a imago de seus
pais como os via na infância e, portanto, é natural que a futura mãe de nosso herói seja representada assim tão jovem (Freud, 1915). Por fim, é adequado que a mãe do herói seja uma imperatriz pelos motivos já salientados quando discutimos sobre o mito do herói (Freud, 1939). Sabemos que também nos sonhos “O Imperador e a Imperatriz” (ou o Rei e a Rainha) representam os pais do sonhador (freud, 1900).
Freud considerou o Complexo de Édipo como o principal núcleo das neuroses e salientou que, em indivíduos do sexo masculino, as dificuldades relacionadas ao complexo paterno constituem um dos principais motivos para buscar tratamento analítico (Freud, 1917). O Complexo de Édipo e a busca de Luke por resolver adequadamente seu complexo paterno norteiam toda a trama de “Guerra nas Estrelas”.
Luke precisa enfrentar Darth Vader para completar sua formação como cavaleiro Jedi. Mesmo antes de saber concretamente que Darth Vader é seu pai, ele já o intui e sabe que tem a missão de sobrepujá-lo. Sabemos que dentro do Complexo de Édipo o menino enfrenta sentimentos conflituosos de amor e ódio (Freud, 1900) e, portanto, podemos compreender Mestre Yoda e Darth Vader como diferentes faces de um mesmo pai, sendo Mestre Yoda o pai bom, amado, mentor e Darth Vader o pai rival que precisa ser sobrepujado.
Após diversos conflitos, em que Luke digladia-se entre amor e ódio, entre a necessidade de matar Darth Vader e a impossibilidade de matá-lo por ser seu pai, Luke parece resolver seu Complexo de Édipo de forma bastante adequada, pois enfrenta valorosamente Darth Vader, mas reconcilia-se com ele ao final. O amor e o respeito filial transparecem o tempo todo, visto que ele mantém a crença de que o pai não perdeu seu lado bom, apesar de ter sido atraído para o “Lado Sombrio da Força”. O sentimento de respeito filial, paralelo à necessidade de sobrepujar o pai, foi muito bem retratado por Freud em seu artigo “Um Distúrbio de Memória na Acrópole” (Freud, 1936).
É bem conhecida a íntima relação que há entre o Complexo de Édipo e o Complexo de Castração. Na criança do sexo masculino, o medo da castração impulsiona a resolução do Complexo de Édipo, fazendo com que o menino abdique do amor de sua mãe e internalize as figuras parentais, levando à formação do superego (Freud, 1926).
As alusões à castração são abundantes em “Guerra nas Estrelas”. Em diversas batalhas, membros são decepados, em uma clara alusão à castração. Em um sonho bastante significativo, Luke luta com Darth Vader e o decapita, mas, ao levantar sua máscara de ferro percebe que ele tem a face do próprio Luke. Em uma batalha real, Darth Vader decepa um dos braços de Luke. Freud já chamara nossa atenção para a decapitação como um equivalente da castração (Freud, 1922) e, em “O Homen dos Lobos”, cortar um dedo aparece na fala do paciente como um representante da castração (Freud, 1918).
Em “A Interpretação dos Sonhos”, em seu capítulo sobre o simbolismo, Freud destaca que os objetos alongados e pontiagudos, tais como facas e espadas são símbolos fálicos. Ele ressalta ainda que objetos extensíveis costumam aparecer em sonhos representando a ereção18. Assim, a espada Jedi, alongada e extensível, constitui um símbolo fálico por excelência.
Chama a nossa atenção que um dos personagens de “Guerra nas Estrelas” porta não apenas uma, mas quatro espadas Jedi. Aprendemos com Freud, em seu artigo sobre a “cabeça de Medusa”, que a multiplicação de símbolos fálicos faz alusão ao temor da castração (Freud, 1922).
É digno de nota também que não apenas personagens masculinos, mas também alguns personagens femininos portam a espada Jedi, o que nos remete às teorias sexuais infantis quando, em uma fase inicial de seu desenvolvimento, as crianças julgam que também as mulheres possuem pênis (Freud, 1905).
Em “Totem e Tabu”, Freud discorre longamente sobre a importância dos desejos incestuosos para o psiquismo humano. Ele salienta inclusive que a força desses desejos é evidenciada na própria rigidez sobre a proibição ao incesto, argumentando que não haveria necessidade de uma proibição tão rígida caso esses desejos não fossem tão intensos (Freud, 1913). Os desejos incestuosos em “Guerra nas Estrelas” estão representados pelos sentimentos amorosos que transparecem entre Luke e a princesa Léia, enquanto ainda desconhecem o fato de serem irmãos.
Em certo momento da trama, o mestre de Luke aconselha-o a treinar com os olhos fechados, “sentindo a Força”, “usando sua intuição”. Nessa
passagem, quase podemos ouvi-lo dizer: use o seu Inconsciente, utilize a energia do Inconsciente. Essa passagem também nos faz lembrar que a Intuição é uma das quatro funções mentais descritas por Jung em sua Psicologia Analítica (Jung, 1964). Ademais, Kelmer defende que as tomadas de decisão que levam em conta a intuição têm maior chance de acerto do que aquelas baseadas unicamente no raciocínio lógico, visto que se baseiam em uma avaliação mais completa da situação, uma vez que levam em consideração as informações advindas do inconsciente (Kelmer, 2008).
É digno de nota também que em “Guerra nas Estrelas” os erros são punidos com a morte, como observamos em produtos do Inconsciente, como os sonhos e como observamos no funcionamento do aparelho mental infantil. No modo de pensar infantil, assim como no funcionamento do Inconsciente, a raiva por um determinado objeto é representada por um desejo de aniquilamento do objeto, o desejo de livrar-se de um objeto equivale a um desejo de morte para com o mesmo (Freud, 1900).
Em uma outra passagem da trama, mestre Yoda descreve a sensação de “estar conectado com tudo no Universo” e assegura a Luke que se ele for capaz de sentir-se dessa forma ele será capaz de mover qualquer objeto com o poder de sua mente. Isso nos remete diretamente à “sensação oceânica” discutida por Freud em “O Mal-Estar na Civilização”, tão comum às experiências religiosas, e que, de acordo com Freud, remonta a uma busca por restaurar o narcisismo ilimitado de uma fase de desenvolvimento primitiva do Ego, ou seja, o narcisismo primitivo do bebê (Freud, 1930).
A luta entre o “Lado Bom” e o “Lado Sombrio da Força” nos remete diretamente à Ambivalência presente em nosso funcionamento mental, no qual os objetos amados são também odiados em certa proporção (Freud, 1915). Remete também aos conflitos entre nossas instâncias psíquicas, tais como os conflitos entre os desejos do Id e as exigências do Superego (Freud, 1933). Freud descreve a dificuldade da criança em aceitar que sentimentos de amor e de ódio incidam sobre um mesmo objeto, de modo que a criança tende a deslocar os sentimentos de ódio para um outro objeto (Freud, 1926a). Dessa forma, Anakin, após converter-se ao “Lado Negro da Força”, precisa transformar-se em uma outra pessoa, precisa tornar-se Darth Vader.
Nas palavras de Mestre Yoda, “raiva, medo e agressão ao Lado Negro da Força levam”. Assim, a oposição entre o “Lado Bom” e o “Lado Sombrio da Força” nos lembra também a oposição entre os instintos eróticos e os instintos agressivos, entre os instintos de vida e os instintos de morte (Freud, 1940).
Nosso estudo foi capaz de encontrar na série “Guerra nas Estrelas” inúmeros elementos da teoria psicanalítica desenvolvida por Freud. Freud já havia nos apontado as produções artísticas como produtos do Inconsciente, indicando a presença de conteúdos psicanalíticos em obras de literatura, peças de teatro, pinturas e esculturas (Freud, 1900, 1907, 1910, 1914). Ao estudar a série “Guerra nas Estrelas”, estendemos esses achados a uma obra cinematográfica. Sabemos que cada achado compatível com a teoria psicanalítica consiste em mais uma confirmação da mesma, contribuindo para o fortalecimento do sentimento de convicção sobre essa teoria (Freud, 1916).
Ao acompanharmos a trajetória de vida de Anakin e, posteriormente, de seu filho Luke, encontramos diversas semelhanças entre ambas. Também Anakin parecera ser um herói, contudo deixou-se levar para o “lado sombrio”, enquanto que o seu filho foi mais além, superou-o e mostrou-se capaz de resolver seus conflitos psíquicos de forma mais adequada. Arriscamo-nos, portanto, a sugerir um aspecto teleológico do Complexo de Édipo. Relembramos o paralelismo que Freud nos aponta entre as evoluções filogenética e ontogenética, de modo que cada indivíduo repete em seu desenvolvimento, de forma abreviada, toda a evolução da raça humana (Freud, 1930). Fica-nos a impressão de que a tarefa da Evolução não é tarefa de um homem só, mas que cada indivíduo e cada nova geração têm a responsabilidade de dar sua parcela de contribuição a essa Evolução.
A identificação de elementos psicanalíticos em uma série cinematográfica de ficção científica como “Guerra nas Estrelas” nos enche de esperança. Esperança no fator humano. Esperança de que apesar de todos os avanços tecnológicos que favorecem a despersonalização de nossos relacionamentos, o fator humano prevalecerá.
ABSTRACT: Artistic productions can be considered as products of the Unconscious. Elements of psychoanalytic theory were identified in works of literature, plays, paintings, sculptures, myths and fairy tales. This study aims to analyze the film series “Star Wars” in accordance with the psychoanalytic point of view, using the work of Freud as the main theoretical reference. Several psychoanalytic contents were identified in this film series, such as childhood omnipotence, Oedipus complex, castration complex, symbolism, ambivalence, among others. The identification of elements belonging to the psychoanalytic theory in different contexts helps to strengthen the sense of conviction on this theory.
KEYWORDS: Psychoanalysis, Freud, Unconscious, “Star Wars”.