NA ACTUALIDADE a problemática da Psicodinâmica do Trabalho ganhou uma dimensão que merece certamente uma profunda e sistematizada reflexão. A Psicanálise teve e terá sempre um lugar diferenciado no debate social e na compreensão das complexas atribuições, significados e consequências das relações humanas e o Trabalho.
Christophe Dejours é talvez o psicanalista que mais se tem destacado mundialmente no estudo destas temáticas, de forma rigorosa e fundamentada, delimitando áreas de intervenção clínica inovadoras.
Neste número da Revista Portuguesa de Psicanálise, Christophe Dejours demonstra como o conceito psicanalítico de sublimação se relaciona com o sofrimento e o prazer alcançado pelo trabalho. Acrescentamos também os excelentes contributos que João Areosa, Sociólogo, e João Seabra Diniz, Psicanalista da Sociedade Portuguesa de Psicanálise realizam numa complementaridade impar de olhares diferentes sobre o artigo convidado do psicanalista francês.
Na secção teórica apresentamos três artigos: de Rui Aragão Oliveira, sobre a construção da interpretação em psicanálise; de Henriqueta Martins, que aborda o tornar -se Pai na teoria psicanalítica; e o de Sandra Pires, sexualidade e os encontros e desencontros humanos, este último decorrente do prémio alcançado pela melhor comunicação livre no XXIV colóquio da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, decorrido em Maio de 2013.
A secção do intercâmbio merece igualmente uma especial referência, pois contamos com importantes artigos de Franco Borgogno, colega de Turim, e de Maria Angélica Tomás, de Minas Gerais.
Adicionalmente, a Revista Portuguesa de Psicanálise não poderia perder a oportunidade de recordar o centenário do nascimento de João dos Santos, um dos primeiros psicanalistas portugueses que formou várias gerações de colegas em Portugal. É aqui evocado por uma breve mas
justa nota de João Seabra Diniz, Presidente da Sociedade Portuguesa de Psicanálise.
Este número retoma ainda as entrevistas realizadas a personalidades mundiais que têm dado um contributo muito diferenciado à Psicanalise. Robert Hinshelwood é um dos autores britânicos de referência, com uma vasta obra publicada. Nesta entrevista apresenta-nos alguns dos seus pontos de vista sobre o lugar da Psicanálise na sociedade actual, o seu desenvolvimento futuro e as relações institucionais a promover.
De realçar igualmente que Robert Hinshelwood e Leda Herrmann, esta presidente do Instituto de Psicanálise da Sociedade de São Paulo fazem agora parte dos revisores científicos da Revista Portuguesa de Psicanálise.
Para terminar temos ainda espaço para recensões, de livros por parte de Paulo Ferrajão, e de cinema por parte de Ana Catarina Duarte Silva.
As actividades científicas intituladas Journal Club, decorridas na Sociedade Portuguesa de Psicanálise, merecem também um destaque particular, porém sucinto, expressão do êxito que lhe é reconhecido, contribuindo assim para o duplo movimento de abertura externa e interna que este número da revista procura reflectir.
Rui Aragão Oliveira