Howard Levine é hoje um dos mais criativos e influentes psicanalistas mundiais. A sua marcante presença no XXIV Colóquio da Sociedade Portuguesa de Psicanálise, em Maio de 2013, bem como os livros e artigos que publicou nesta última década nas mais prestigiadas revistas internacionais, têm assinalado a evolução da teoria psicanalítica.
É com natural satisfação que a Revista Portuguesa Psicanálise inclui neste número o texto de Levine “Towards a Two-Track Model for Psychoanalysis”, onde discute os principais fundamentos do desenvolvimento da técnica interpretativa. Apercebemo-nos assim das diferenças implícitas da clínica psicanalítica, e da integração histórica que moveu a Psicanálise nestes mais de 100 anos de existência.
Neste número, temos também uma interessante secção teórica, remetendo-nos para temas diversos, complexos mas de grande impacto: a ética e a prática da psicanálise, por Maria José Gonçalves; problemáticas do falso self nas patologias-limite, por Carlos Farate; a experiência do impasse e da reação terapêutica negativa, por Maria Fernanda Alexandre; e um olhar analítico sobre a importância e a universalidade do contar contos, por Ana Catarina Duarte Silva.
Na secção histórica/intercâmbio incluímos um texto fundamental da “escola brasileira”. Leda Herrmann apresenta-nos uma excelente síntese da Teoria dos Campos que o falecido Fábio Herrmann aprofundou e divulgou em diversas obras. Antigo Presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e da FEPAL (Federação Psicanalítica da América Latina), Fábio Herrmann desenvolveu um trabalho impressionante e de grande influência na América do Sul, mas igualmente com repercussões em todo o mundo psicanalítico que merece certamente uma reflexão atenta e discussão cuidadosa.
Judit Mészáros, presidente da Sàndor Ferenczi Society e da International Ferenczi Foundation, concedeu-nos uma interessante entrevista onde realça aspectos históricos da presença, sobrevivência e desenvolvimento da Psicanálise na Europa face às vicissitudes da II Grande Guerra e à opressão do regime soviético. As suas pesquisas sobre o trauma e implicações transgeracionais são igualmente abordadas, demarcando o vigor, pertinência e dinamismo actual dos contributos de psicanalistas na intervenção social e política.
Por fim, nas recensões, de assinalar a leitura psicanalítica de um magnifico e recente filme - “Gravidade”- por Ana Belchior Melícias, e o relato do grupo de trabalho Journal Club promovido pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise em torno do conceito enactment e suas implicações clínicas.
No conjunto, pensamos ter reunido neste número um vasto conjunto de artigos teórico-clínicos e de reflexões históricas, que expressam bem preocupações e interesses da comunidade internacional de todos os psicanalistas dos nossos tempos. Lisboa, 2014