Pretende-se mostrar como a experiência analítica, organizada como um campo dinâmico, pode ser evadida por sentimentos de paralisação que podem funcionar como fortalezas defensivas em relação à dinâmica criativa da relação. Na clínica, de uma forma mais acentuada ou mais ligeira, podemos confrontar-nos com uma imobilização de campo analítico que é evadido por sentimentos de impotência e de paralisação. O analista pode ser levado, sem ter consciência, a uma cumplicidade inconsciente com o paciente afastando-se dos aspectos mais dolorosos, inquietantes ou mortíferos que se configuram como um lugar que não pode ser tocado nem pensado. O material clínico típico destas situações de impasse é marcado pela pobreza simbólica e por uma a aridez das representações que impedem ou dificultam a capacidade de rêverie. O impasse surge como o negativo da elaboração. O conceito da reacção terapêutica negativa é um conflito centrado na evolução do processo analítico. Mostra-nos o caminho do inconsciente e aparece na sequência do surgimento de um substantivo progresso analítico, indicando-nos a intensidade dos sentimentos de culpa. Colocam-se diferentes questões de ordem teórica e técnica que se prendem com o facto de o analista poder confundir as reacções negativas crónicas que encontramos nos impasses com a reacção terapêutica negativa.
Conferência apresentada nas III Jornadas Internas do Instituto de Psicanálise, da Sociedade Portuguesa de Psicanálise a 27 de Outubro de 2012.
Membro Didacta da Sociedade Portuguesa de Psicanálise. E-mail: mfalexandre@mail.telepac.pt
Pretendemos com esta comunicação falar da experiência da dinâmica psicanalítica face ao impasse e à reação terapêutica negativa. Esta experiência clínica, que encontramos com frequência no processo analítico, poderá ser compreendida, no nosso ponto de vista, a partir de uma relação onde as fantasias individuais do paciente e do analista se entrelaçam num campo original onde emerge e ressalta a verdadeira situação da dupla analítica . Desse contacto e envolvimento das fantasias internas do analista com as do paciente pode surgir a experiência de um terceiro que, podemos dizer, está na origem da nossa contransferência, instrumento técnico de valiosa importância, que nos indica a natureza e a qualidade da relação analítica. Estas fantasias que surgem na relação constituem pontos de urgência do material inconsciente da dupla analítica. Caracterizam-se pela ocorrência de ansiedades, de inquietações, de dúvidas, de paralisações do pensamento e que funcionam como um estado de alerta de que nos estamos aproximar de algo do inconsciente do analisando. O analista, através do seu inconsciente que se materializa através da sua capacidade de rêverie, capta a dinâmica conflitual da relação analítica e descobre pontes representacionais que lhe permitem encontrar a passagem do pensamento concreto para o simbólico. O analista surpreende-se quando, na confluência da dupla analítica, um terceiro elemento, que pode ser ilustrado através de uma imagem, de um pensamento, de uma recordação, de uma canção, de uma impressão corporal, de um afecto longínquo e simultaneamente próximo, evade a relação, empurrando-nos para a urgência de uma representação psíquica da relação que está a ser vivida naquele instante.
Na clínica, de uma forma mais acentuada ou mais ligeira, podemos confrontar-nos também com uma total imobilização do campo analítico que é invadido pelo sentimento de impotência e paralisação que nos remete para a solidão de duas mentes que se querem entender mas não conseguem. O par analítico, metaforicamente, anda à deriva como se estivesse num mar de altas vagas sem rumo e sem sinais de terra à vista. Estas imobilizações da dinâmica da relação, funcionam como um baluarte, onde as fantasias infantis omnipotentes evitam ser tocadas ou olhadas pelo analista por receio de um desamparo sem fim, de uma vulnerabilidade, ou de desesperos extremos .
As dificuldades – tanto do paciente como do analista – contra estas fortalezas defensivas que paralisam a dinâmica da relação analítica, têm sido estudadas ao longo dos últimos anos por diversos analistas – como o “enclave” ou como o “refúgio psíquico” de Steiner (1993) – que é sempre o resultado da relação de campo da dupla analítica. O analista, sem o desejar, sente-se empurrado para uma cumplicidade inconsciente com o paciente e afasta-se dos aspectos mais dolorosos, inquietantes ou mortíferos que se configuram como um lugar que não pode ser tocado nem pensado. Lugar que, metaforicamente, se pode representar como uma casa assombrada onde analista e paciente receiam entrar por medo de encontrarem o estado devastador dos objectos internos amados mas temidos. Embora possamos metaforizar a relação analítica como uma casa assombrada de que dificilmente nos podemos aproximar e que nos pode paralisar o pensamento, reconhecemos também que esta dificuldade se deve ao facto do material clínico típico das situações de impasse dificilmente ter um valor simbólico e ser marcado por uma aridez das representações que nos impede e nos tira a liberdade da capacidade de rêverie. O impasse surge, como vários analistas sublinham, como o negativo da elaboração e por isso é um conceito que se aplica ao desenvolvimento e às vicissitudes do próprio processo analítico . Podemos interrogar-nos se certas qualidades da dinâmica relacional no processo analítico podem desencadear um impasse e quais os problemas técnicos que se colocam em tais situações.
A etimologia da palavra impasse significa que entramos numa situação ou num caminho que não permite uma saída favorável, que nos conduz a uma estagnação com o sentimento inquietante de não saber o que fazer e por onde ir. Parece que paciente e analista percorrem um deserto de afectos, de sentimentos, de ideias, instalando-se um impasse que pode durar longos períodos. Assim, o impasse analítico refere-se a toda a situação que se prolonga e, embora o “setting” se mantenha conservado, o trabalho analítico parece não dar resultados, não se deslumbra a evolução e as temáticas são repetitivas e paralisantes (Mostardeiro, 1974). Analista e paciente parecem não encontrar uma saída para esta situação de impasse criando um campo de desconfiança mútua onde parece haver, metaforicamente, trocas implícitas de acusações e o sentimento de paralisação mental e de aparente desistência psíquica. Quando abordamos estes impasses, – embora sejam vividos e reconhecidos na relação de campo –, temos que considerar as suas diversas origens, que vão dos aspectos ligados à técnica analítica, às indicações ou contraindicações de análise, às dificuldades ligadas à estrutura da personalidade dos pacientes sobretudo quando se tratam de estruturas narcísicas e limites, ou que apresentam dificuldades de representação simbólica das suas experiências internas. Também os aspectos internos do analista podem, através da sua contratransferência, entrar em colisão com o mundo interno do paciente, sobretudo quando o analista receia abordar os seus aspectos internos destrutivos.
Na verdade, na clínica, podemos encontrar certos pacientes, cuja narrativa esconde uma espécie de inautenticidade que esbarra com profundos sentimentos narcísicos, sobretudo ligados a perdas e a separações. O analista parece ter dificuldade em interpretar porque esses sentimentos são vividos, pelo paciente, como intensas humilhações que não quer recordar na relação transferencial tal como foram vividos na relação com os seus objectos internos. Aceitarem ser ajudados a contactar com estes objectos internos, através das interpretações do analista na relação transferencial, afigura-se como quase impossível porque tais relações foram vividas por vezes como abandónicas e, consequentemente, desencadeadoras de profunda dor e raiva. Nestas circunstâncias, o campo analítico pode transformar-se num impasse onde paciente e analista têm dificuldades em simbolizar ou representar esta tragédia interna. Assim, como salienta Betty Joseph (1975), a parte pseudo-cooperativa do paciente impede que a parte realmente necessitada entre em contacto com o analista e desta forma a experiência de ser compreendido é oposta à de adquirir compreensão. Nestas circunstâncias, o impasse surge na sequência deste conflito interno que se desenrola dentro do processo analítico e em que certos aspectos do self são mantidos à distância da relação terapêutica, enquanto outros observam e tentam contactar com o analista. Estes pacientes são aparentemente cooperativos e adultos mas esta pseudo-cooperação pode contribuir para manter o analista afastado das partes infantis do self que são mais necessitadas de compreensão. Por um lado o paciente quer ser compreendido, mas mantem-se simultaneamente à distância, através de uma excessiva intelectualização
como se quisesse agradar ao analista, porque contactar com o infantil é fonte de dor mental com o consequente sentimento de incompreensão que é acompanhado por raiva e destruição. Estes pacientes, devido a uma pressão superegoica que a relação de campo pode potenciar, colocam sobre o psicanalista, através de projeções, uma pressão para que ele viva certos aspectos do self do paciente em vez de compreendê-los e analisá-los. O impasse nestas circunstâncias, de uma forma silenciosa, impõe-se na dinâmica relacional pois o paciente sente-se humilhado por contactar com aspectos do verdadeiro self que o expõem a insuportáveis angústias depressivas e de desamparo que contaminam o campo da relação analítica e assim transferência e contransferência interagem num bloqueio mútuo.
Por vezes, como salientaram diversos analistas como Ogden ou Birketed-Breen , esses aspectos do self podem ser, através de uma identificação projectiva – modelo conceptualizado como defensivo mas também como fonte de comunicação de experiências intrapessoais com os objectos internos -, colocados como um terceiro dentro do processo da relação analítica. Assim, os aspectos do self que se recusam a pensar, por insuportabilidade dolorosa, funcionam como terceiros que se impõem na dinâmica do campo analítico como indesejáveis, mas colocados dentro do outro que tenta conter e metabolizar as experiências indesejáveis. Também Steiner (1993) ao descrever os retraimentos psíquicos mostra como a mente do psicanalista se entrelaça com a do paciente e forma um terceiro que nem sempre é fácil interpretar. Por vezes, como Lang salienta, pode estabelecer-se uma relação entre a mente do analista e a do paciente que pode funcionar como uma conspiração contra a verdade interna mantendo, dessa forma, certos aspectos psíquicos fora do processo e da compreensão analítica.
Na clínica também encontramos pacientes que, aparentemente com sinceridade, procuram a psicanálise para se poderem livrar de intensos sentimentos de tristeza e de abandono provocados por lutos não elaborados. Contudo, devido à intensidade da dor que pode ser revisitada na transferência, preferem inconscientemente fazer passagens a acto do que elaborar psiquicamente a perda. Tal situação desencadeia certos pontos cegos no psicanalista que pode eventualmente interagir com os receios do paciente resultando desta confluência uma colusão entre os dois em vez de um trabalho interpretativo da relação de campo. Assim, como descreve Karlsson (2004), a colusão aparece como uma manifestação externa, como uma defesa narcísica que tem a função paradoxal de negar, dentro do setting analítico, a existência da dupla consciência (two-ness) da relação analítica e do consequente campo que se constrói. Alguns analistas, como Newirth (2000), mostram como certos pacientes, sobretudo quando se tratam de pacientes narcísicos e esquizóides, apresentam uma inabilidade para poder participar e viver na relação analítica as suas experiências internas que tiveram origem nas falhas do seu desenvolvimento precoce. Acrescenta, em consonância com a nossa própria experiência clinica, que a maior dificuldade para o analista, quando se trata de pacientes que têm sentimentos generalizados que se manifestam num pensamento concreto ou no isolamento do afecto e na representação, é encontrar um espaço de simbolização onde a rêverie surge naturalmente criando pontes onde se podem integrar as experiências dissociativas.
Como constatamos, através da nossa experiência e do contacto com a literatura, o impasse no processo analítico deve-se ao facto de haver uma impossibilidade da dupla analítica poder representar simbolicamente, através da capacidade de rêverie, elos de ligação que funcionariam como terceiros mas que, devido a essa incapacidade, vêem o campo da relação evadido por baluartes defensivos onde o concretismo do pensamento invade e paralisa a dinâmica relacional. Birkited-Breen (2012) focaliza o impasse na ausência do terceiro, como elemento temporal subjectivo, que, por estar ausente, empurra a dupla analítica para um pensamento concreto com consequências para a inevitabilidade da ausência da figurabilidade que nos prende ao sonho e à fantasia.
Os impasses são mais frequentes do que nós imaginamos e prendem-se, como anteriormente dissemos, aos problemas da relação de campo. A dupla analítica, por impossibilidade ou receio de contactar com a emergência dos afectos dolorosos ou destrutivos com os seus objectos internos - que a relação transferencial e contratransferencial potencia -, transforma a comunicação num pensamento concreto ou numa confusão de línguas como se fosse a Torre de Babel -faceta esquizoparanoide -evitando falar de uma fantasia inconsciente que, por ser dolorosa, tende a paralisar a relação.
Podemos interrogar-nos se estas diversas qualidades de impasses que descrevemos
anteriormente se podem diferenciar da verdadeira relação terapêutica negativa e quais as questões técnicas que colocam uma e outra situação. Esta questão também foi colocada por Rosenfelt (1987) que se interrogou se não haveria uma diferenciação entre a verdadeira reacção terapêutica negativa, que surge após um franco e substantivo progresso analítico, e as diferentes qualidades de reações negativas que na realidade paralisam o processo analítico. Sublinha que esta dificuldade levanta diferentes questões de ordem técnica que se prendem com o facto de o analista poder confundir as reacções negativas crónicas que encontramos nos impasses com a reacção terapêutica negativa. A interpretação da inveja e do triunfo na relação transferencial, em pacientes com impasses crónicos como se fossem reacções terapêuticas negativas, piora o processo analítico e eles tornam-se rancorosos e críticos em relação ao analista. Os pacientes ficam com a sensação de não serem percebidos, sentem-se rejeitados, a relação de impasse piora e a confiança perde-se na dinâmica da relação terapêutica. Estas questões levam-nos a interrogar o que entendemos por reacção terapêutica negativa.
Freud (1937), ao escolher o conceito da reacção terapêutica negativa para demonstrar que estávamos face a um conflito centrado na evolução do processo analítico, mostra-nos também, metaforicamente, uma bússola ou um «certificado de origem» que nos indica o caminho do inconsciente. Freud, neste trabalho do final da sua vida, recomenda aos analistas que se devem deixar surpreender por uma capacidade negativa – sobretudo quando se tratam de pacientes difíceis –, e ressalta que em vez de se indagarem como se processa uma cura pela análise deveriam interrogar-se sobre os obstáculos que se colocam no caminho da cura analítica. A conceptualização deste fenómeno clínico surge com a publicação de O Ego e o Id (Freud, 1923) e mostra que a esperança ou a satisfação pelo progresso do tratamento do paciente podem ser seguidos de descontentamento e invariavelmente ele torna-se pior. Acrescenta que estes pacientes não suportam qualquer elogio ou apreciação e reagem inversamente, sentindo-se piores em vez de se sentirem melhores. Os fundamentos psíquicos para definir a reacção terapêutica negativa, como explicou Freud (1923), estariam num «sentimento inconsciente de culpa» de poder mudar ou abandonar a qualidade das experiências com os objectos internos infantis que são, por um lado, fonte de sofrimentos e dor mas que simultaneamente o paciente receia trair ou abandonar por sentimento inconsciente de culpabilidade, que, devido à sua intensidade, aparece como equivalente a uma «necessidade de punição». Desta forma estes pacientes não se autorizam a libertar-se de uma relação que é fonte de sofrimento, não são capazes de abandoná-la. Muitos analistas, como Horney (1936), seguiram, na sua elaboração clínica, esta linha de pensamento segundo a qual uma boa interpretação seria sentida pelo paciente como uma forma de competitividade como se o analista reivindicasse a sua superioridade. Desta forma, o paciente mostra uma hostilidade inconsciente em relação ao analista e as interpretações são sentidas como permanentes críticas evocando as humilhações sentidas em relação aos seus objectos internos. Estes pacientes podem sentir as interpretações com uma profunda rejeição e desprezo, tal como viveram e vivem as suas relações internas. Aceitarem as interpretações do analista representa uma diminuição narcísica que se torna insuportável e, por vezes, surgem rupturas como uma forma de passagem acto. Mélanie Klein vê nestas reacções terapêuticas negativas a importância da inveja como força destruidora que desvaloriza o trabalho do analista no sentido de manter uma aparente superioridade. Rosenfelt (1987) também sublinha o papel da inveja, da superioridade e da destrutividade nas reacções terapêuticas negativas. A superioridade tão frequente nestes pacientes, surge como uma intensa defesa contra o sentimento de agressão que a dependência, as frustrações e a inveja desencadeiam. As identificações projectivas tão presentes nestes pacientes servem para atacar a mente do analista e evitar que o paciente dele se separe, tal como acontece com os seus objectos internos que são atacados mas dos quais não se conseguem desprender. Rivière mostra como a reacção terapêutica negativa surgiria na sequência de uma intensa ansiedade em relação aos objectos internos destruídos, mortos ou danificados que produzem uma insuportável dor e culpa em relação a um amor inconsciente que aparentemente parecia incondicional. O paciente tem necessidade de se castigar – como Loewald assinalou, como se fosse uma autopunição – de sacrificar a sua própria vida pelos outros como se estivesse a espiar uma intensa culpa que assenta na dor da perda ou na decepção. A maior dificuldade que
Os impasses analíticos assim como as reacções terapêuticas negativas, podem surgir e configurar-se como uma espécie de bastião (Baranger, 1985) ou uma organização defensiva que pode ter uma função positiva ou negativa ao longo do processo analítico. Por um lado, podem funcionar como um tempo de espera e de escuta para que analista e analisando, através da sua capacidade de rêverie, possam encontrar elaborações de partes mais dolorosas e inacessíveis do self que não puderam ser integradas, como por exemplo a negação de certos lutos ou de mudanças psíquicas por receio de que novas auroras tragam diferentes e desconhecidas experiências internas. Podemos ver estes impasses ou reacções terapêuticas negativas como pontos de divergência ou convergência que surgem das experiências internas entre analista e paciente, onde as mentes da dupla analítica funcionam como um espaço onde se processam todas as mudanças. Birksted-Been (2012) também mostra como o surgimento de certos impasses podem estar ligados à impossibilidade da dupla analítica representar simbolicamente ou ilustrar o estado da relação devido a uma aridez representacional onde a capacidade de rêverie é escassa. A falta deste terceiro elemento, ou seja, da capacidade de rêverie, pode estar presente em muitas situações de impasse e em algumas situações da reacção terapêutica negativa. Nestas circunstâncias, a aridez desencadeada por impossibilidade de pensar, pode transformar a dinâmica da relação analítica num impasse que poderá ser vivido pelo paciente como uma humilhação e vergonha por não se sentir compreendido e não poder exprimir esses afectos dolorosos. Também nestas mesmas circunstâncias o analista pode mergulhar num estado mental de incapacidade e paralisação que poderá ser ultrapassado na busca de um terceiro que se pode configurar como um supervisor, um grupo de estudos, um grupo de trabalho, a procura de um espaço de leitura ou de escrita onde a angústia de morte pode dar lugar a um pensamento criativo.
ABSTRACT
We intend to show how an analytical experience organised as a dynamic field may be circumvented by frozen feelings, which may work as defences against the relationship's creative dynamics. We may at the clinic confront ourselves to a greater or lesser extent with a frozen analytical field circumvented by powerless feelings. An analyst may be led – without being aware – to an unconscious complicity with the patient, thus stepping away from the most painful, disturbing, and deadly aspects, which take the form of an untouched or thought of place. The typical clinical tools for these impasse situations are marked by symbolic poverty and failure in representations, thus preventing or making it difficult to dream. This impasse thus arises as a negative of such elaboration. The concept of negative therapeutic reaction is a conflict focused on the evolution of the analytical process. It shows us the way of the unconscious and follows a substantive analytical progress, which indicates the intensity of feelings of guilt. Different theoretical and technical questions arise related with the fact that the analyst may confuse negative chronic reactions found in these deadlocks with a negative therapeutic reaction.
KEY WORDS
Impasses, Negative Therapeutic Reaction, Analytical Process, Field Relationship
sentimos nestes pacientes é o desespero de se quererem afastar dos objectos internos de quem se sentiam guardiões e ao separarem-se deles vivem tal situação como uma enorme traição desencadeadora de culpa e dor. Então preferem ficar paralisados numa reacção terapêutica, ou num impasse, a sair dessa situação.