Foi com muita honra e satisfação que recebemos o convite para escrever esta nota editorial, apresentando nossa Revista de Psicanálise aos colegas da Sociedade Portuguesa.
A partir deste número, inaugura-se um intercâmbio científico entre nossas Sociedades através do qual poderemos permutar artigos publicados em nossas Revistas. A iniciativa para esta troca partiu do editor da Revista da Sociedade Portuguesa, Rui Aragão Oliveira, e da presidente de nossa Sociedade, Anette Blaya Luz. A ideia nos parece muito enriquecedora por possibilitar uma aproximação científica e afetiva com nossos colegas portugueses. Contamos com a vantagem adicional de partilharmos a mesma língua, o que constitui mais um facilitador para esta interlocução.
Iniciemos, pois, as apresentações. Nossa Sociedade localiza-se no extremo sul do Brasil, na cidade de Porto Alegre, e foi fundada no ano de 1963 por pioneiros da psicanálise em nosso país.
A Revista da SPPA criou-se quando se comemoraram os trinta anos de fundação da Sociedade, em outubro de 1993. Foi idealizada tendo como objetivos primordiais divulgar nossas concepções acerca do pensamento psicanalítico, com uma linha editorial aberta e pluralista, desde que respeitados os critérios de seriedade, ética e fundamentação teórica consistente. Procurou, desde o início, contar com artigos de autores locais, bem como com a produção de psicanalistas de renome internacional e de linhas teóricas diversas.
Com o intuito de dialogar também com as diferentes áreas do conhecimento e de divulgar a psicanálise para além dos nossos consultórios, a Revista busca se integrar a diversas atividades culturais da comunidade local e a profissionais de outras áreas do conhecimento tais como cinema, literatura, sociologia, filosofia etc. Assim, promove ciclos de debates sobre temas específicos: Masculinidade e feminilidade na virada do milênio, Complexo de Édipo cem anos depois, Reflexões sobre a violência, Preconceito. Participa também anualmente da Feira do Livro de nossa cidade – evento muito apreciado e popular – apresentando saraus e mesas redondas em promoção conjunta com a Câmara do Livro de Porto Alegre. Nestes debatem-se, junto ao público leigo e a artistas convidados, temas de interesse cultural para os quais a psicanálise pode sempre oferecer um olhar diferenciado. Muitas vezes estes eventos dão origem a artigos ou mesmo a números temáticos que vêm a ser publicados posteriormente.
A Revista lança anualmente dois números com temáticas psicanalíticas específicas e um
Editora da Revista de Psicanálise da SPPA
número com artigos variados. A partir de 1997 foi indexada à base de dados Lilacs-Bireme e, a partir de 2013, além da publicação em papel, passou a proporcionar a seus assinantes a publicação online de todo o seu conteúdo. Até o presente momento é a única revista de psicanálise brasileira a apresentar este formato. Como cortesia, é distribuída para várias entidades nacionais e internacionais de psicanálise, bem como para outras instituições ligadas à saúde e à educação.
Desde sua criação, a Revista da SPPA vem sendo prestigiada no nosso país e também em vários países latino-americanos, apesar de a língua portuguesa impor certa barreira a sua maior divulgação. De alguns anos para cá, o número de assinantes vem aumentando significativamente, assim como psicanalistas de vários recantos do mundo têm enviado espontaneamente seus artigos para serem publicados em nosso periódico.
Como abertura de nosso intercâmbio científico, escolhemos enviar-lhes para publicação o artigo Caminhos e descaminhos da juventude atual: desafios para um analista de adolescentes de autoria de Viviane Sprinz Mondrzak, psicanalista didata que foi presidente de nossa Sociedade no período de 2011 a 2013. Trata-se de um trabalho apresentado no XII Simpósio do Núcleo de Infância e Adolescência da SPPA em maio de 2010 e publicado no volume 17, número 3 de 2011 de nossa Revista. A autora discute as características da juventude atual, contextualizando-as e levando em conta que os adolescentes retratam, não apenas a cultura em que estão inseridos, mas igualmente o mundo adulto que os cerca. Debate as mudanças ocorridas entre os ideais do modernismo e os ideais pós-modernos, o que engendrou consequências nas configurações da adolescência e também do mundo adulto. Questiona nosso papel enquanto analistas de adolescentes, inseridos que estamos neste mundo em ebulição.
De nossa parte, publicaremos em dezembro do corrente ano, no número dedicado ao tema Realidade e ficção, o artigo Into the wild: o labirinto da adolescência, de autoria da colega portuguesa, psicanalista Ana Belchior Melícias. Este trabalho, como devem saber, foi publicado na Revista de sua Sociedade e oferece uma instigante visão sobre os processos da passagem complexa que constitui a adolescência. A autora produz suas compreensões a partir da análise do filme Into the wild – título que já é, por si só, bastante sugestivo das características marcantes desta etapa vital.
Desejamos que este seja apenas o início de uma profícua relação entre nós e que os leitores do lado de cá e do lado de lá do Atlântico sintam-se tão gratificados por esta iniciativa quanto nós por poder propiciá-la.
Um grande abraço e boa leitura!