A direção da Revista Portuguesa de Psicanálise (RPP) gostaria de exprimir os seus agradecimentos a todos os colaboradores e autores que contribuíram para o enriquecimento deste número 36 [2] com artigos teóricos e clínicos, ensaios, e com uma importante entrevista, permitindo fazer uma ligação entre as diversas áreas da cultura e da psicanálise.
Convidámos o psicanalista Roosevelt M. S. Cassorla a publicar um artigo na RPP que representasse as suas atuais investigações teóricas e clínicas. Assim, este artigo temático – “Afinal, o que é esse tal enactment?” – convida o leitor a fazer uma viagem até ao campo analítico onde emergem as suas investigações clínicas sobre o conceito de enactment. A partir deste seu trabalho faz uma nova releitura deste conceito propondo-se nomear enactment crónico aos conluios duais, e enactment agudo às situações em que esses conluios são desfeitos. A importância deste conceito na vasta obra deste autor, publicada em língua portuguesa e inglesa, coloca-nos questões verdadeiramente interessantes, sobretudo de natureza técnica. A psicanalista Conceição Tavares de Almeida também nos apresenta um comentário a este artigo, que enriquece a discussão desta problemática, mostrando como o enactment pode interrogar tanto a psicanálise como o psicanalista do ponto de vista conceptual, mas também clínico e ético.
Nos artigos Teóricos e Clínicos publicamos um conjunto de trabalhos de diferentes psicanalistas portugueses e estrangeiros com distintas e variadas elaborações teóricas. Howard B. Levine, psicanalista nos Estados Unidos, que tem colaborado com alguma frequência na nossa revista, apresenta-nos um artigo com algumas reflexões pessoais sobre a agressão e a psicanálise. Marina Fibe de Cicco elaborou um trabalho sobre a problemática narcísica e alterações da técnica na clínica dos casos limite. Maria Fernanda Alexandre escreve um artigo sobre a humilhação narcísica analisada como a sombra do sentimento de exclusão. Apresentamos, ainda, um artigo de Celeste Malpique sobre Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro – “Comunicação inter-subjetiva privilegiada”. Manuela Fleming mostra-nos, igualmente, uma leitura psicanalítica da obra de Fernando Pessoa -“Este intervalo que há entre mim e mim”. No campo da arte e da psicanálise apresentamos um trabalho de Joana Proença Becker – “Frida Kalo: Yo soy la desintegración”.
Neste número da revista damos a conhecer também uma interessante entrevista feita pelas nossas colegas Ana Mónica Dias e Teresa Santos Neves à psicanalista Rachel Blass. Esta analista, que tem uma extensa obra publicada, pertence ao Board of the International Journal of Psychoanalysis, onde é editora da secção Controversies. Por fim, uma recensão do último livro de Cassorla, publicado em 2015: O Psicanalista, o Teatro dos Sonhos e a Clínica do Enactment. Pensamos ter reunido, neste número da RPP, um conjunto de artigos que exprimem uma diversidade de modelos teóricos e clínicos que mostram como os psicanalistas pensam e trabalham na atualidade, afirmando uma importante vitalidade na procura de um constante aprofundamento científico e técnico das suas práticas.