Após uma delimitação conceptual deste tipo particular de escrita ou «género literário» — a escrita psicanalítica —, a autora contextualiza as raízes históricas do texto escrito na evolução da humanidade, inscrevendo a escrita psicanalítica na construção cultural da psicanálise. Percorre as ideias de autores psicanalíticos acerca do papel da escrita na formação e construção progressiva da identidade do analista e da sua «voz própria», considerando o acto de escrever um pilar decisivo no caminho de se «tornar psicanalista». Identifica modalidades de resistências à escrita, com o objectivo de as inscrever em conceitos psicanalíticos e ajudar o leitor a discriminar a natureza das suas próprias resistências.
Que papel desempenha a escrita na formação//construção da identidade do psicanalista? Que nos faz escrever e que nos faz escrever em psicanálise? Estas são as interrogações orientadoras deste trabalho, que nos acompanham nos momentos em que é importante atravessar esse fosso entre o inconsciente e a palavra escrita lançada para o «papel/ecrã», cuja tinta/imagem pictórica, outrora subjectiva, se objectiva e se enraíza no texto.
Damos início à demanda através de uma descrição deste tipo particular de escrita ou «género literário», nas palavras de Ogden (2005). Em seguida, focamos a nossa atenção no papel da escrita na formação do analista, quer em termos da formação teórica/clínica de base, quer em termos da formação contínua e construção progressiva da identidade do analista. Partilhamos de seguida com o leitor as diversas modalidades de resistências à escrita — panóplia recheada de armadilhas mentais — com o objectivo de o ajudar a identificar a natureza das suas próprias resistências.
«O alfabeto é apenas um meio para aprender a pensar. À medida que se exerce, este movimento do alfabeto acresce ao seu próprio dispositivo, inventando e integrando novas letras no seu corpo.» (Gil, J., 2000 [1968])
Partimos da sugestão criativa de Ogden (2005) assumindo que estamos a referir-nos a um género literário especial: o da escrita psicanalítica. A escrita psicanalítica, para este autor, é um género literário que envolve a conjunção de uma interpretação e uma obra de arte; um diálogo entre uma ideia analítica e a criação, em palavras, de algo como uma experiência analítica. Obra de arte uma vez que o escritor tem de usar a linguagem de forma «artística», se pretender criar no leitor uma experiência de leitura que abarque os elementos críticos da experiência analítica que o escritor viveu com um paciente, mas também a música do que aconteceu nessa experiência. Refere-se às ideias que saem da
Artigo recebido em 24 de Fevereiro de 2019 e aceite para publicação em 31 de Maio de 2019.
Psicanalista. Membro associado da Sociedade Portuguesa de Psicanálise (SPP) e da Associação Internacional de Psicanálise (IPA). Membro do Conselho Editorial da Revista Portuguesa de Psicanálise. E-mail:
nossa caneta, como se estivéssemos a observá-las a desenvolverem-se de forma não planeada — «com muita frequência, ao escrever, não escrevemos o que pensamos, pensamos o que escrevemos» (Gabbard, G. & Ogden, T. H., 2011, p. 125).
Freud inaugurou este caminho através de uma escrita até então inexistente, dando-lhe um cunho pessoal, algures entre o modelo literário e o modelo científico. Para Mahoney (1990), «longe de ser um mero veículo para uma reportagem retrospectiva ou um meio de armazenar ou recuperar informações, a escrita foi um traço indispensável, da mais profunda importância, na auto-análise de Freud […] que foi proeminentemente não uma cura pela fala mas uma cura pela escrita» (pp. 555–556).
Inscrevendo a escrita psicanalítica na dimensão da criatividade, também Markson (1966) se dirigiu ao processo criativo da humanidade como uma ferramenta projectiva única que pode servir-nos como forma de acesso a uma maior compreensão de nós próprios, bem como a conflitos intrapsíquicos não reconhecidos do criador. No processo, o desejo e a transgressão emergem como fontes necessárias que alimentam este acto de transmissão que constitui o escrito clínico específico em psicanálise — «Escrever, para o psicanalista, é tentar dominar uma experiência difícil de dizer […] apoderar-se de algo, cercar, imprimir, inscrever, tanto o que o obceca como o que lhe escapa» (Delorenzo, R. M. T., Mezan, R. & Cezarotto, O., 2000, p. 107).
Tomando agora a escrita num contexto mais vasto e a escrita psicanalítica como uma subclasse da literatura, desde a sua origem, cerca do ano de 1800 a. C., que a notação escrita representa o tempo histórico, a memória social através das gerações e a lenta acumulação de experiências e normas da humanidade. Após um longo período em que os humanos conquistaram essa posição de transmissão do seu conhecimento através das tradições orais míticas, o advento da escrita transformou a forma como essa transmissão passou a ser veiculada e divulgada: em documentos escritos e transportados para todos os continentes. A escrita ganhou um estatuto central como parte do desenvolvimento cultural da humanidade e permitiu aos humanos pensarem em si próprios como parte de uma história em evolução.
Num caminho de transcendência da sua própria subjectividade, também o psicanalista escreve tentando inscrever a psicanálise na cultura (Ahumada, J. L., 2001). Não se pode furtar, no entanto, ao longo deste processo, aos problemas da linguagem, aos problemas da escolha da linguagem que irá traduzir, num texto, o que pretende transmitir (Wehb, V. L. M., 2009).
Será que esta função primordial da escrita envolverá uma função psicanalítica do literário? Para Bloom, «os trabalhos literários, incluindo o teatro, ensaios, poesia, possibilitam, quer em termos históricos, quer em termos presentes, a oportunidade que o homem tem de falar, não com outros, mas consigo próprio, construindo um espaço psíquico ou, usando a terminologia de Bion, um aparato/aparelho para pensar os pensamentos» (apud Ahumada, J. L., 2001), p. 140). Apoiando-se nos argumentos de Bloom, Ahumada (2001) refere que a literatura desempenha um papel que é próximo do conceito de «função psicanalítica da personalidade» de Bion.
Uma paciente fala consigo própria através da escrita. Após uma longa e acidentada viagem psica-nalítica, que foi conduzindo progressivamente a bons portos, escreve um dia um poema dirigido à sua analista:
Vai-se embora o sol mas o calor fica
Vai-se embora o sol mas o calor ficailuminando-me assim até nos dias cinzentospois se o brilho da tua presençaem mim já não se reflecteno mais profundo do meu serguardo tudo o que me deste.
E se pareço triste neste poemaÉ porque triste me sinto e estouantevendo a finitude da fonte de águas purasque matou a minha sedee a minha alma lavou.
E ao ver-me assim renascidaDescoberta a nascente de um rio interiorNão me resta senão a vidaE o que de ti em mim ficou.Lila Vaz (21/04/2018)
A elaboração da temporalidade, da sua e da analista, condensa-se neste poema, representante do seu espaço psíquico. Escreve sobre a díade, sobre a finitude de ambas, inscritas num percurso existencial que as une e numa viagem partilhada de sofrimento e descoberta. Confiar nas novas águas que habitam e alimentam a sua mente é pensado neste poema — abraçando o movimento de pensamento e tornando sentidas e aceites a diferença e a separação entre as duas — como um processo de transformação interna acolhido com beleza, tristeza e sentido de continuidade.
Que desencadeia a escrita no paciente? Berlinck situa o desencadeador da escrita do paciente no mal-estar produzido pela transformação dos afectos do não-saber em saber transferidos pelo paciente ao analista — «passou a ser alguém em busca da palavra capaz de tratar desse íntimo e avassalador mal-estar, sabendo que não mais a encontrará só nos autores precedentes ou em seu mestre» (apud Martins Costa, 2009, p. 13).
Que desencadeia a escrita no psicanalista?
O psicanalista escreve para elaborar a sua angústia, como parte do processo de elaboração psíquica, e para reencontrar o seu nome próprio, num processo simultâneo de desenvolvimento da sua voz própria e de se tornar psicanalista (Gabbard, G. & Ogden, T. H., 2011) — processo indissociável da Formação do Analista.
«A partir de que signos da sensibilidade, por meio de que tesouros da memória, sob torções determinadas pelas singularidades, de que ideia será o pensamento suscitado? Nunca se sabe de antemão como alguém vai aprender.» (Deleuze, G., 2000 [1968], p. 278)
No processo de construção do analista, também nunca sabemos, de antemão, quais as singularidades e os tesouros da memória que, progressivamente, vão contribuindo para o caminho que será, mais precisamente, um «ir caminhando» ou «ir aprendendo». Parafraseando Gabbard & Ogden (2011), com o duplo intuito de os citar e de me escudar neles para dar conta de um sentimento com o qual me identifico e que, favoravelmente, tem sofrido modificações ao longo do tempo, «Poucos de nós sentimos que realmente sabemos o que estamos a fazer quando concluímos a formação psicanalítica formal. Esforçamo-nos por encontrar a nossa voz, o nosso próprio estilo […]» (p. 117). Martins Costa (2009) apresenta, a este propósito, a escrita como um suporte e ferramenta da condição de vir a ser psicanalista, em conjunto com o tripé da psicanálise — análise pessoal, supervisão e formação teórica.
Enquadrando a escrita neste processo de construção do analista, assistimos ao que parece ser uma injunção paradoxal no processo de escrita na maioria dos institutos de psicanálise. Esta é solicitada e valorizada na fase final da formação do candidato sob a forma da Memória — trabalho de apresentação e discussão de um caso clínico de análise —, mas pouco desenvolvimento acontece ao longo dos anos de formação teórico-clínica. O candidato estuda e prepara a apresentação de textos e discute aprofundadamente com o grupo de pares material clínico, mas escrever sobre a clínica raramente é solicitado. Talvez seja esse um dos motivos que fazem com que tantos candidatos, ao finalizarem os anos teórico-clínicos, entrem numa espécie de moratória social/psicanalítica, procrastinando a elaboração da Memória, trabalho escrito que se afigura como o momento-chave de acesso à condição de analista. Se nos detivermos nesse momento, ele afigura-se como uma boa amostra da mobilização de defesas inconscientes: o candidato alega falta de tempo, dispersão por muitas tarefas que se impõem, dificuldade em organizar o material clínico, em organizar as diversas secções do trabalho, em escolher que tipo de estilo de Memória, que tipo de material clínico seleccionar, um sem fim de obstáculos que, sendo todos legítimos e parte do processo, precisam de trabalho adicional de elaboração psíquica para poderem, eventualmente, ser removidos.
Sendo um momento-chave que mobiliza resistências, que outros factores poderão estar presentes no acesso à condição de ser analista? Martins Costa (2009) sugere que a escrita, por si só, potencia a passagem ao lugar de analista. Ao passar da posição exclusiva de leitor à posição de autoria, o psicanalista progride na análise e conhecimento de si próprio, no movimento de escrever e reescrever a sua história e a sua experiência clínica. Berlinck ilustra, de uma forma dramática, esta posição psíquica, referindo-se ao psicanalista que escreve como aquele que «sabe ter chegado a temida e ansiada hora de procurar nele mesmo a palavra representativa do vivido na clínica» (apud Martins Costa, 2009, p. 13).
A temida e ansiada hora condensa a presença de resistências à escrita. Resistências «aludem a tudo aquilo que impede a emergência do inconsciente» (Gitaroff, G., 2012, p. 12). Se tomarmos o acto de escrever como uma forma de pensamento (Gabbard, G. & Ogden, T. H., 2011), todas as premissas da psicanálise se aplicam. Pensar mobiliza resistências; damos início a uma luta interna intrapsíquica que exige esforço e elaboração psíquica para ser levada a bom porto e permitir, como resultado final, uma produção escrita. Ahumada (2001) refere que escrever é difícil porque implica oferecer com palavras um brilho artificial às estrelas do dia claro, aludindo à clara participação do inconsciente no acto de escrever.
O conceito de «working through writing» de Markson (1966) — elaboração por meio da escrita — parece-nos muito útil: conceito basilar de toda a au-to-análise, de que tanto se serviu Freud, que consiste na elaboração facilitada pelo meio de ver as próprias ideias externalizadas no papel. Elaborando acerca das fronteiras entre o processo criativo e o processo de escrita, para Markson, «o conhecimento psicanalítico fornece-nos um método racional para determinar as origens dos pensamentos do escritor criativo. As fantasias que têm origem no processo primário e que secundariamente são elaboradas, reescritas e polidas pelas competências linguísticas podem ser consideradas written-out. O resultado do processo primário written-out torna-se, assim, interpretável em ambos os sentidos latente e manifesto» (p. 235).
Além de promover um trabalho intelectual de esclarecimento do pensamento consciente, a escrita promove a descoberta e a elaboração de conteúdos inconscientes e de aspectos desconhecidos, cuja aparição produz uma mescla de curiosidade e recusa (Gitaroff, G., 2012). O texto escrito inscreve-se na tarefa complexa de pensar sobre si, escrevendo para os outros, reactivando igualmente a dimensão superegóica da exposição e mobilizando
resistências (Ahumada, J. L., 2001).
Quando nos surge um esboço de insight de conteúdos que nos perturba, pode ser que, em plena luta entre o desejo e a defesa, nos aconteçam muitas coisas, entre elas perder o fio dos pensamentos, ou que a escrita se torne confusa, obscura, encriptada, demasiado sintética, ou ainda que, no pior dos casos, nos seja impossível continuar a tarefa.
As resistências podem situar-se num continuum. Podemos, de acordo com Gitaroff (2012), começar por um evitamento do momento para nos sentarmos a escrever, colorido com uma perturbação da nossa capacidade de dar prioridade à escrita. Impõem-se tarefas que não são prioritárias ou urgentes, mas que, naquele momento que alocámos à escrita, parecem vir à superfície, toldando-nos a mente, provocando-nos uma sensação de falta de ideias, de falta de inspiração, de culpabilidade por não estarmos a atender a outras tarefas. Podemos contar também com a preciosa ajuda da desvalorização — «eu não sei escrever» — que nos convence da suposta (ou real, e nesse caso a árvore de decisão terá de ser de natureza diferente) insignificância dos nossos escritos. Freud (1908) completa esta ideia quando diz que o Eu não nos permite fazer essas coisas porque elas nos proporcionariam proveito e êxito, que o severo supereu denega. O ideal exige-nos um resultado compatível com a perfeição, sempre inalcançável. Ou então conduz-nos à idealização da escrita em si mesma como tarefa superior e destinada a uns poucos. Podem também assumir formas mais graves, como a inibição do ato de escrever. Às dificuldades que provêm do lado da pulsão e dos avatares do complexo de édipo, adicionam-se as angústias trazidas pelo supereu, o ideal do Eu e a realidade; e o escritor, não conseguindo vencer os snipers internos, sucumbe perante a tarefa de escrever, ou pelo menos adia a mesma para um tempo futuro, desistindo da vontade de superar os obstáculos internos que se erigiram.
Outra fonte de inquietação pode ser a diferença entre o nosso percurso de pensamento e o nosso percurso existencial, sempre em devir, que contrasta com a relação com o tempo do texto escrito. Por mais que nós possamos transformar o nosso pensamento e evoluir noutros sentidos, o nosso texto seguirá sempre igual e poderá até sobreviver mais do que nós, transcender-nos, o que nos preocupa e nos tenta ao mesmo tempo.
Também podemos ter um pensamento original ou uma ideia que provoca sofrimento, comparável, para Markson (1966), a um sintoma. Pode ser muito útil revelar um conflito que está a ameaçar a integridade emocional do autor e que pode ser atenuado pela escrita. No entanto, até que a produção escrita surja, o autor tem de se debater com o seu sofrimento e conflito interno, e a produção escrita será o resultado desse processo de elaboração mental. Vários caminhos são possíveis: o autor consegue encontrar esse compromisso e a produção escrita segue o seu curso; ou, como refere Ahumada (2001), o autor sacrifica a criatividade, fruto da incapacidade de encontrar esse compromisso, na tentativa de fazer uma contribuição científica para a nossa disciplina e a produção escrita segue outro curso. Neste último caso, talvez o autor nos prive de uma parte imprescindível da experiência como leitores, que é a ressonância. Wehb (2009) refere-se a esta particularidade da escrita: «ressonância porque se trata de um trabalho de um colega e receber tudo o que de lá emana enquanto conteúdo, enquanto mensagem, enquanto ritmo, enquanto colorido, enquanto forma; elementos que de imediato capturam ou abandonam o leitor» (p. 199).
As resistências são muitas e não se destinam a desanimar o leitor, mas a permitir-lhe desenvolver algumas estratégias que lhe podem facilitar a tarefa de elaboração psíquica de remoção desses obstáculos à escrita. Gitaroff (2012) sugere algumas estratégias para ludibriar e vencer as resistências: a) contrariar a escrita errática, nos pequenos momentos livres, e dedicar um lugar e um tempo à escrita, sem interrupções da vida quotidiana; b) se não conseguimos assim resolver as dificuldades, é provavelmente porque os impedimentos sinalizam fantasias inconscientes que será necessário descobrir, e, nesse caso, o autor sugere que falemos com um colega, comentando o que nos está a acontecer; e c) se não funcionar ainda assim, e as resistências permanecerem, outro recurso será levá-las à análise pessoal.
«Escrever sobre um conceito é abraçar o próprio movimento de pensamento que faz com que esse conceito seja pensável no campo da diferença. Desta forma, o pensamento é arrastado para um movimento interminável: pensamos no nosso pensamento, o que acresce esse pensamento, obrigando-nos a pensá-lo de novo, e assim até ao infinito» (Gil, J., 2000 [1968], p. 15)
Assistimos hoje a uma construção progressiva do caminho das palavras para o caminho das imagens: do texto para a imagem. Para Ahumada (2001), se é verdade que corremos o risco de cavar um fosso entre a cultura do texto e a cultura da acção em imagens, também é verdade que as imagens são representações pictóricas de pensamentos e, nessa medida, também podem ser vistas como um veículo privilegiado de comunicação de afectos, que mais facilmente se veiculam por imagens do que por palavras.
A tarefa psicanalítica, a de Freud e a nossa, depende da «função psicanalítica de impressão» na sociedade — não só na literatura ou no teatro, na fotografia ou na pintura, mas em tudo o que ajude as pessoas a pensar: através de texto ou de imagens, enquanto escritores ou como leitores. E assim, até ao infinito.
ABSTRACT
After a conceptual delimitation of this particular type of writing or literary genre, psychoanalytic writing, the author identifies the historical roots of the written text in the evolution of humanity and psychoanalysis inserting psychoanalytic writing in the progressive building of psychoanalysis in the cultural space. It traces the concepts of psychoanalytic writers on the role of writing in training and progressive construction of the analyst identity and his own voice considering the act of writing as a pillar in the access of the path to become a psychoanalyst. The author identifies types of writing resistances in light of psychoanalytic concepts towards helping the readers to discriminate the nature of their own resistances.
KEYWORDS: psychoanalytic writing, psychoanalytic training, psychoanalyst identity, resistances to writing.